Martifer Energia

 http://www.martifer.pt

 

A Martifer iniciou a sua actividade em 1990, actuando no sector das estruturas metálicas. Presentemente, a Martifer S.G.P.S., S.A. é a holding de um grupo de empresas centradas em duas áreas de negócio – construções metálicas (Martifer Metallic Constructions) e energias renováveis (Martifer Renewables, Martifer Energy Systems e Martifer Solar) –, geridas de forma independente por equipas de gestão dedicadas. A Martifer Energia, que iniciou a sua actividade em 2004, pertence a um núcleo de empresas direccionadas à produção de equipamentos para a energia, denominado Martifer Energy Systems. Esta empresa está instalada na Zona Industrial de Oliveira de Frades e dedica-se ao fabrico de torres metálicas e outros componentes. A Martifer Energia aposta no desenvolvimento de tecnologias inovadoras e no upgrade das soluções existentes, empenhando-se na melhoria contínua através da optimização dos processos, melhorando a produtividade e a rentabilidade e reforçando a sua posição competitiva.

 

Processo de Certificação

De acordo com o «Manual de Oslo» (OCDE, 2005), as actividades de inovação das empresas dependem, em parte, da variedade e estrutura das suas ligações com fontes de informação, de conhecimento, de tecnologia, de práticas e com recursos humanos e financeiros. Os benefícios destas ligações dependem de quão eficazmente é partilhado o conhecimento na empresa e direccionado para o desenvolvimento de novos produtos, processos e outras inovações. Uma visão de inovação baseada em conhecimento foca-se em processos interactivos, através dos quais o conhecimento é criado e partilhado, dentro da empresa e para fora dela.

O Grupo Martifer tem assumido, desde a sua fundação, a inovação como um dos pilares onde se sustenta. É, no entanto, a partir de 2007, que a inovação assume um papel estruturado e estruturante, fundamental na definição e implementação da estratégia do Grupo.

A inovação concretiza-se, por exemplo, através da criação de um sistema de Gestão do Conhecimento, que permite desenvolver procedimentos de suporte à identificação, mapeamento e levantamento do conhecimento e a conceber uma plataforma tecnológica de retenção e partilha de conhecimento. Este projecto assume especial importância num Grupo que tem vindo a crescer nas suas presenças nacional e internacional, nas quatro áreas de negócio que actualmente possui, e que reúne já um universo de mais de três mil colaboradores.

Concretiza-se ainda através do desenvolvimento de um sistema de Gestão de Ideias corporativo (um dos alicerces da inovação são as ideias que a organização gera, que se traduzem em criação de valor e processo para o qual o contributo de todos os colaboradores é fundamental), da implementação e do acompanhamento da ferramenta
«Innovation Scoring» e da avaliação de melhores produtos e processos e novos mercados, sempre com o objectivo presente de proporcionar novas oportunidades às várias áreas de negócio do Grupo Martifer.

No caso particular da Martifer Energia, esta foi uma das primeiras empresas em Portugal a certificar-se em Sistemas de Gestão de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, de acordo com a norma NP 4457:2007. Foi ainda uma das empresas que participou no desenvolvimento e elaboração da grelha de «Innovation Scoring», num projecto conjunto com a COTEC Portugal, e que foi adoptado como instrumento de diagnóstico por todas as entidades que pretendam identificar e/ou avaliar as suas actividades de inovação.

O processo de IDI da Martifer Energia foi integrado com os restantes processos do Sistema de Gestão, de acordo com o representado na figura, e a sua implementação e operacionalização permitiu obter benefícios significativos, tais como:

  • sistematização de processos;
  • melhorias na comunicação e interacção intra e intersectores;
  • partilha efectiva de conhecimento;
  • optimização e racionalização de meios.
 

Processos do Sistema de Gestão da Martifer Energia

 


O processo de IDI na Martifer Energia assentou sobre produto e processo, mais especificamente sobre o trabalho efectuado quer em energia das ondas quer em produção de torres eólicas.

No caso da energia das ondas, é um projecto que tem por objectivo colocar equipamentos que permitam produzir energia eléctrica a partir da energia recolhida das ondas; o projecto envolve várias parcerias e pretende colocar um protótipo no mar num horizonte próximo.

Já no que diz respeito à fábrica de torres eólicas, as inovações de processo conduziram a níveis de produtividade e excelência no produto que aumentaram significativamente o volume de facturação; do mesmo modo que para a energia das ondas, há várias parcerias envolvidas neste processo.

 

 

Jorge Martins

Presidente Executivo

Acreditamos que a cultura que nos distingue, e que faz com que os nossos valores não tenham mudado nos 20 anos da nossa existência, constitui a nossa principal vantagem competitiva. São os nossos colaboradores que colocam em prática, diariamente, os nossos valores, com os quais, através da constante inovação, conseguimos surpreender e criar valor nos negócios em que estamos.

Como Grupo dinâmico que somos e com a ambição de estarmos sempre em busca da excelência, as nossas pessoas colocam continuamente a sua capacidade para não só implementar novas soluções para os nossos clientes e para a organização em si, como também para melhorar soluções ou procedimentos já existentes. A inovação é, assim, incutida a todos os níveis da organização e em cada empresa do Grupo, tendo sempre como alvo a criação de valor.

Porque queremos ser reconhecidos como um Grupo que ocupa lugares de liderança nos segmentos de mercado em que opera, criando valor, satisfazendo os clientes e tendo colaboradores felizes, a inovação faz parte do ar que respiramos.

Desejamos que o Guia de Boas Práticas de Gestão de Inovação seja uma via eficaz para mostrar a excelente qualidade dos produtos portugueses e para dar provas do quão inovadores são os portugueses.

 

Boas Práticas Implementadas

  • Implementar processos para garantir mais e melhor inovação - Gestão de ideias

    O processo de gestão de ideias identifica e descreve a metodologia para a captação, análise, avaliação e pré-selecção de ideias, com vista a identificar as que se podem constituir como oportunidade de inovação, e aplica-se a todas as ideias geridas pelo Grupo Martifer.

    A promoção da criatividade e de uma cultura de lançamento de ideias no seio do Grupo Martifer baseia-se no estabelecimento de um plano anual de actividades para fomentar a criatividade, que estabelece as estratégias e acções previstas para promover a criatividade na organização com vista à melhoria do desempenho em IDI.

    Independentemente das estratégias e acções desenvolvidas, os seguintes processos e actividades constituem sempre fontes de captação de ideias:

    • acções da concorrência;
    • propostas de melhoria;
    • avaliação da satisfação e requisitos de clientes;
    • reuniões, encontros de quadros e/ou debates internos;
    • revisões do sistema;
    • inquéritos;
    • parcerias;
    • outros.

    De modo a poder efectuar-se convenientemente a captura, análise, avaliação e pré-selecção de ideias, foi desenvolvida e implementada uma plataforma de software, intitulada «N IDEIAS», que constitui o instrumento de suporte e gestão das ideias (ver figura 8).

     

    Figura 8 - Printscreen da segunda página da plataforma N IDEIAS e opções disponíveis

     


    As ideias são submetidas por cada colaborador utilizando um formulário específico e são classificadas de acordo com vários parâmetros (por exemplo, o tipo de ideia - se é de produto, de processo, organizacional ou de marketing - e a área de negócio a que se destina). A classificação atribuída faz com que a ideia seja automaticamente reencaminhada para um avaliador específico.

    A avaliação das ideias é efectuada tendo em conta os seguintes critérios: originalidade, carácter inovador, aplicabilidade/viabilidade, risco associado. Consoante o resultado obtido na avaliação, a ideia será arquivada ou pré-seleccionada. Estas últimas constituem potenciais oportunidades de inovação e são estudadas de modo a avaliar a sua possibilidade de implementação.

  • Identificar resultados de inovação - Tipos de Inovação - Produto/Serviço

    O projecto de investigação e desenvolvimento de um protótipo para recuperação da energia das ondas teve início em 2004, como consequência da decisão estratégica de tornar o Grupo Martifer num dos players a nível mundial a deter competências e a oferecer soluções na área da energia das ondas. Neste sentido, foi criada uma equipa multidisciplinar que, com o avançar do projecto, foi crescendo em número e em competências.

    No início do projecto foi efectuada uma pesquisa extensiva ao estado da arte da energia das ondas, tendo sido estudados modelos e teorias existentes e avaliadas as vantagens e desvantagens que apresentavam. As ideias que se apresentaram como mais promissoras foram objecto de estudos mais detalhados (melhoramentos da forma/dimensões e determinação de algumas grandezas técnicas), de modo a avaliar a viabilidade e o potencial de cada uma, o que veio a permitir criar as grandes linhas orientadoras para o desenvolvimento de um novo conceito. Foram estabelecidos protocolos de colaboração com vários parceiros nacionais e estrangeiros com elevadas competências em áreas como as de simulação/modelação hidrodinâmica e foram realizados ensaios/testes em modelos físicos à escala 1:40 num canal de ondas construído nas instalações da Martifer. Simultaneamente foi efectuada uma exaustiva caracterização da costa de Portugal (morfologia, batimetria, ondulação, pontos de interligação à rede eléctrica, outros) de modo a poder determinar a melhor localização para colocar o sistema de conversão de energia das ondas a desenvolver.

    Dos resultados obtidos da modelação matemática e dos testes realizados em canal de ondas, foi possível tomar uma decisão quanto à geometria a adoptar. Durante o ano de 2006 foram iniciados os trabalhos de definição dos equipamentos de conversão, geração e rectificação da energia e, à semelhança do que já havia acontecido, foram estabelecidos protocolos de colaboração, desta vez em áreas de hidráulica e eléctrica. Tudo isto culminou, no final de 2007, na realização de novos ensaios/testes às escalas 1:45 e 1:25 ao dispositivo entretanto seleccionado, que serviram para confirmar a viabilidade funcional do modelo, validar as grandezas físicas envolvidas e recolher dados do Power Take-off.

    Após os testes às escalas 1:45 e 1:25, foi necessário efectuar todo o projecto que permitisse a construção de um protótipo à escala 1:1, para testes em alto mar. Deste modo, foram efectuados todos os projectos - estrutural, hidráulico, mecânico e eléctrico -, assim como o estudo de viabilidade económico-financeira do projecto. Devido às condições extremas que o protótipo encontraria quando colocado no ambiente onde iria operar, foi necessário identificar todos os detalhes e potenciais problemas que poderiam ocorrer, tais como os da corrosão dos materiais de construção e de equipamentos, do sistema de ancoragem e de transmissão de energia.

    Este projecto permitiu, até à data, registar quatro patentes de outros tantos modelos desenvolvidos e ainda ser o projecto vencedor, na área das Energias Renováveis, da 1.ª edição do Concurso Nacional de Inovação BES. Adicionalmente, trouxe uma visibilidade traduzida em artigos de jornais, revistas, rádios e televisão, em convites para participar em congressos e para efectuar palestras em escolas e universidades, e foi ainda objecto de várias visitas de estudo.

     

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