Daniel Bessa

Director-Geral da COTEC Portugal

O Painel de Opinião incluído no Barómetro de Inovação da COTEC Portugal acaba de produzir os seus primeiros resultados. Damos-lhe as boas-vindas e desejamos-lhe uma vida longa e com qualidade.

Com o desconto exigido pela emissão de opinião valorativa em causa própria, penso que o Barómetro de Inovação constitui uma excelente iniciativa: congrega e sintetiza informação, em termos comparativos, sobretudo a nível macro; dará lugar à produção de informação própria, a nível micro, ou empresarial; manterá uma divulgação permanentemente actualizada sobre boas práticas e casos de sucesso em matéria de inovação. Qual cereja em cima do bolo, oferece-nos os resultados de um painel de opinião, que estabilizará na resposta regular de 24 pessoas, duas vezes por ano, a um conjunto de questões sobre o andamento dos processos de inovação, e das políticas públicas de inovação, no nosso País.

O resultado mais esperado do painel é a avaliação das políticas de inovação no nosso País. Aí está: é um 4 (mais rigorosamente, 4,2) numa escala de 1 (mínimo) a 7 (máximo); um 10,7 (aprovado; ligeiramente acima do mínimo exigível) na escala de zero a vinte em que fomos educados. 4 é também a moda das respostas recebidas (uma moda forte, concentrando 7 das 15 respostas); os restantes respondentes cobriram a quase totalidade das escalas valorativas, do desanimado 1 atribuído pelo Professor João Caraça aos quase entusiasmados 6 atribuídos pelo Professor Gonçalo Quadros, pelo Eng. João Picoito e pelo Dr. Luís Portela.

A interpretação e a valoração destes resultados ganharão densidade com o decorrer do tempo, à medida que se sucederem as edições do painel. Tão ou mais interessantes do que estas classificações são as respostas às dez perguntas abertas postas à consideração dos membros do painel. Aqui, impressiona sobretudo a diversidade das análises, dos sentimentos, dos “estados de alma” e das convicções dos membros do painel, também influenciada pelas áreas de actividade em que cada um se movimenta. O que, se conduz a algum resultado prático, é à conclusão do muito caminho que teremos ainda de percorrer antes de podermos concluir por uma estratégia de actuação e por um plano de acção, quaisquer que sejam, minimamente consensualizados. Não certamente por acaso, é na pergunta sobre o que faria, se ocupasse o lugar de Primeiro-Ministro, que se
manifesta uma das maiores diversidades de opinião, e de prioridades de acção.

Neste domínio, das respostas abertas, o que faço com maior gosto é convidar cada um a ler, com atenção, as respostas que nos foram dadas por cada um dos membros do painel – envolvendo, sempre, um investimento em tempo, e em cuidado, que nos sensibilizam, e nos responsabilizam. Teclas batidas com grande insistência foram muito poucas, embora algumas se tenham aproximado da unanimidade: 

  • a importância atribuída à crise financeira entre os factores ocorridos no último semestre que mais influenciaram a política de inovação em Portugal; 
  • o aumento do peso das despesas de I&D no PIB, entre os principais desenvolvimentos positivos das políticas de inovação em Portugal; 
  • a complexidade burocrática e a morosidade dos processos de decisão entre os maiores constrangimentos às políticas de inovação no nosso País;
  • uma apreciação generalizadamente positiva sobre a iniciativa de criação dos Pólos de Competitividade e Tecnologia e de outros Clusters em Portugal, com as apreciações mais dissonantes a lamentarem o défice de execução e, num único caso, o que parece um défice acentuado de ambição em termos científicos e tecnológicos;
  • o Apple Ipad, a mais citada de entre todas as inovações reconhecidamente importantes, a nível internacional, nos últimos seis meses;
  • de forma dispersa, um pouco ao longo das respostas dadas a todos os quesitos, o reconhecimento da importância da educação como factor de inovação (e, aqui e ali, algumas queixas sobre as nossas limitações nesse domínio), e um reconhecimento generalizado da importância crescente que o tema da inovação tem vindo a assumir nos discursos políticos, empresariais e, inclusivé, na opinião pública do nosso País (mesmo se nem sempre nas formas mais exigentes, e mais consistentes).
 

Daniel Bessa
Director-Geral da COTEC Portugal

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