Edições

  • 1.. Como avalia os resultados da política de Inovação em Portugal?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      4

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      5

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      3

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      4

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      1

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      5

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      4

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      5

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      2

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      5

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      2

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      3

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      2

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      4

    • Zita Martins

      Zita Martins

      1

  • a). Quais os principais desenvolvimentos positivos das políticas de inovação em Portugal?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      Desconheço desenvolvimentos positivos relevantes em 2015, daí que destaque alguns que referi anteriormente: a)Manutenção do SIFIDE, embora mais limitado que anteriormente; b) Prestação continuada excecional de alguns setores no mercado global, afirmando-se pela sua qualidade e inovação: têxteis, cortiça, calçado, vinho, etc., que podem servir de estímulo e exemplo; c) Crescimento das exportações; d) Prémios científicos atribuídos a investigadores portugueses; e) Bolsas de Doutoramento em Empresas tentando levar mais doutores para o tecido empresarial.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      As melhorias anunciadas no cenário macroeconómico do País devem contribuir para dissipar alguns constrangimentos vividos nos últimos anos, no que diz respeito ao investimento público (e privado) em políticas de inovação. Começam a revelar-se sinais na economia da criação de um favorável para uma economia aberta e competitiva que leve a médio prazo a um aumento do peso das exportações no PIB.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      Penso que existem três principais desenvolvimentos que vale a pena mencionar. O primeiro, de natureza estratégica, foi o lançamento do Portugal 2020, onde se podem encontrar vários instrumentos e iniciativas de apoio à inovação. Este novo quadro comunitário de apoio tem muito presente a necessidade de maior articulação entre conhecimento científico, nomeadamente nas universidades, e o sistema económico. O desafio é agora lançar programas específicos que possam potenciar este processo de translação de conhecimento. Numa vertente mais operacional vale a pena referir a criação da ANI, agência nacional de inovação, que terá como missão colocar no terreno alguns destes programas. O seu sucesso será crítico para o sucesso de toda a política de inovação. De igual modo, vale a pena referir o crescimento do portfólio de novas empresas apoiadas pela Portugal Ventures, em que se incluem algumas com grande potencial internacional.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      Penso que a crise não estimulou a inovação, muito pelo contrário, pelo que as ações nesse sentido se saldaram por um fracasso global.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      Num ano de recuperação da economia, é notório o progresso em termos de inovação. Portugal foi um dos países da UE que mais cresceu no ranking de inovação, mantendo no entanto e apesar disso, uma posição ainda longe do topo. Multiplicam-se os projetos inovadores e o empreendedorismo nunca foi uma opção tão seguida como nos dias que correm. A escolha de Lisboa para sede do Web Summit durante os próximos três anos é o espelho desse dinamismo mais recente. Para tudo isto muito têm contribuído as políticas de inovação e o enfoque que traduzem, as plataformas de apoio à inovação e empreendedorismo, as associações, com destaque para a COTEC, alguns incentivos e a crescente interiorização pelos diferentes agentes de que é através da inovação que as empresas e o país alcançam progresso sólido e duradouro.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Creio que devemos aceitar como boa notícia Portugal ter subido duas posições relativamente a 2014 no ranking de inovação das economias mundiais (GII Global Innovation Index). Podemos escolher debater estes rankings e a sua importância e impacto, podemos discutir os indicadores (neste caso 79), mas não deixa de ser uma realidade que esta lista começou por ser publicada em 2007, os critérios evoluíram mas não se alteraram de forma radical, e a crise que afeta Portugal afeta por igual todos os países da lista. Não deixa de ser interessante uma análise mais detalhada dos indicadores que registaram as melhores e piores classificações, cito somente como melhores a facilidade em fechar e iniciar empresas, bom ambiente para fazer negócios e sustentabilidade ecológica. Na lista dos piores estão dificuldade na obtenção de crédito, investimento e paridade de poder de compra.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      O PORTUGAL 2020 dá ênfase aos investimentos em I&D, mantendo as taxas nominais de incentivo e os níveis da componente de incentivos não reembolsáveis, permitindo manter, no ambiente económico adverso, uma prioridade aos investimentos em I&D num contexto de níveis globais de investimento das empresas muito baixos; A manutenção do SIFIDE como instrumento valorizador das apostas empresariais de investimentos em I&D, com especial consideração dos projetos de longo prazo, de risco acrescido, com alterações positivas por alargamento, nomeadamente do prazo de reporte dos benefícios. Perspetiva de valorização do mérito das iniciativas de excelência na investigação científica associada aos centros de I&D. Decisão de voltar a apoiar a contratação pelas empresas de doutorados e novo regime, mais favorável, para contratação no exterior de investigadores.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      Nos últimos meses não houve desenvolvimentos positivos nas políticas públicas de inovação em Portugal.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      No último ano, mesmo num contexto ainda de recuperação da crise económica, assistiu-se a uma melhoria da economia portuguesa em termos de desempenho da inovação, como se pode verificar no Global Innovation Index, onde o País se posiciona atualmente no 30º lugar entre 141 Países? ou no European Innovation Scoreboard que apresenta anualmente o ranking de inovação entre os 29 países da UE. A melhoria nestes rankings face aos anos anteriores é certamente influenciada pelo surgimento de novas empresas sobretudo de base tecnológica com elevados níveis de competitividade nos mercados nacional e internacional; e a algumas medidas/dimensões macroeconómicas experimentadas no passado recente, aproximando a economia Portuguesa ao nível de I&D de outras economias Europeias. Estas medidas incidiram sobretudo na desburocratização do Estado no processo de criação de empresas; no acesso mais amplo da população, sobretudo jovem, às tecnologias da informação; e do incremento da I&D empresarial, estimulado também pela prorrogação da vigência do SIFIDE e do lançamento, embora tardio relativamente a outros países da UE, do novo Programa Quadro (Portugal 2020). Mais recentemente verificou-se um princípio de abertura às empresas e atores do Sistema Científico Nacional, na definição de prioridades do Portugal 2020, nomeadamente na definição das estratégias de especialização inteligente, denominadas RIS 3 na alocação dos fundos. Reconhece-se neste processo um primeiro passo na definição participativa de uma estratégia de inovação de longo prazo com uma agenda sustentada em modelos de continuidade e independentes de ciclos eleitorais? e que seja sobretudo baseada na definição de setores e fileiras definidas como estratégicas para o país e suas regiões e sobretudo assentes na valorização do potencial humano e dos recursos endógenos.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Não tomei conhecimento de nenhum desenvolvimento público inovador na área da cultura.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      As que foram desenvolvidas por José Mariano Gago na área das políticas científicas e de educação avançada e que continuam a dar frutos muito positivos.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      1. O programa SIFIDE ainda me parece ser o mais interessante mecanismo indutor de inovação. Mais interessante seria se além de contemplar projetos de I&D também incluísse projetos de IDI. 2. Apesar das limitações orçamentais, parece-me positivo do ponto de vista da inovação a existência de um programa de apoio a doutoramentos em ambiente empresarial.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      O ecosistema de inovação em Portugal tem vindo a preconizar alguns desenvolvimentos interessantes e que impactam diretamente a competitividade do tecido empresarial Português. Neste contexto salienta-se: ? O Apoio disponibilizado pela Agência Nacional de Inovação (ANI), que tem vindo a reforçar a sua atividade cada vez mais nas reais necessidades de Inovação das empresas. ? O início do novo pacote de incentivos do Portugal 2020, para o periodo de 2014-2020, ainda que os prazos inicialmente definidos sofram constantes alterações. ? A continuação do Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial (SIFIDE). ? O apoio crescente do Gabinete de Promoção do Programa Quadro de I&DT (GPPQ) às empresas nacionais na participação no Programa Europeu Horizonte 2020. ? A definição da Estratégia Nacional de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (ENEI), que vem estruturar os domínios prioritários para o desenvolvimento de todo o sistema de investigação e inovação do país e das diferentes regiões. Outras iniciativas, ainda que relevantes, ainda se encontram numa fase muito incipiente, pouco estruturadas ou com um envolvimento limitado da sociedade, incluindo: ? Conselho Nacional para o Empreendedorismo e Inovação - seria importante assegurar uma maior aproximação do Conselho Nacional para o Empreendedorismo e Inovação aos diferentes stakeholders da sociedade. ? Scoreboard de Inovação em Portugal - apesar dos inquéritos ‘Inquérito Comunitário à Inovação’ e ‘Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional’ serem preenchidos anualmente, os seus resultados não são ou suficientemente disseminados à sociedade. A informação submetida nestes inquéritos podia ser transposta num ‘Scoreboard de Inovação de Portugal’, à semelhança da análise feita a nível Europeu (no Innovation Union Scoreboard), no qual se poderiam elencar dados como a variação no investimento em I&D face aos anos anteriores, ou a segmentação do investimento por região, sector ou dimensão de empresa.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      No ultimo ano, penso que terá sido participação Portuguesa na Agência Espacial Portuguesa (ESA).

  • b). Quais os constrangimentos com que se deparou?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      a) Saída em nível “anormal” para o estrangeiro de quadros de elevada qualificação obtida quer na universidade quer nas empresas; b) Deficiente ligação universidade-empresas; c) Contribuição insuficiente das universidades ao apoio a startups e à transferência do conhecimento para as empresas; d) Falta de clarificação e definição do papel dos Pólos de Competitividade e Clusters no estabelecimento de uma política nacional de Estratégia de Eficiência Coletiva; e) Corte no orçamento para ciência; f) Falta de agilidade da Máquina Judicial.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      Apesar dos esforços legislativos no sentido de limitar os entraves burocráticos ao desenvolvimento e inovação, continuamos a sentir alguma reserva mental em alguns operadores públicos naquilo que é a aplicação sem critério de preceitos legais. Com efeito, continuam a ser aplicadas coimas, por alguns agentes reguladores, totalmente desproporcionadas em relação àquilo que são os bens jurídicos a tutelar e manifestando um espírito de “desconfiança” em relação aos operadores económicos que criam emprego e funcionam como principal motor da economia. Não se admite que uma empresa do setor do comércio tenha de suportar coimas de €3.500, por ter enviado um duplicado duma folha de reclamações em lugar do original. O consumidor pôde reclamar, a Autoridade para as Atividades Económicas teve conhecimento dos motivos da reclamação e, ainda assim, aplicam-se coimas por erros Administrativos em montantes que, não raras vezes, constituem a receita dum mês de atividade.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Falta de instituições de desenvolvimento industrial para fazer a ponte entre universidades e empresas.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      Embora mais mitigado recentemente, um dos principais constrangimentos é o enfoque na consolidação orçamental, que tem relegado as questões de inovação para segundo plano na discussão e ação política. Este aspeto tem vários impactos importantes. De igual modo, tem existido falta de urgência política na dinamização de projetos e programas de apoio à inovação. Este aspeto mudou mais recentemente na vertente de promoção do empreendedorismo, manifestando-se de forma mais visível no empenhamento dos agentes políticos para trazer para Portugal o websummit.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      A ausência de uma política nacional explícita, estruturada e financiada, para a inovação.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      A crise que se gerou no sistema bancário e que conduziu a maiores dificuldades no acesso a financiamento é um constrangimento claro. A coragem, o arrojo e a sobriedade são importantes mas não chegam para levar os projetos por diante. A partir de determinado estado é crítico conseguir financiamento. Apesar das alternativas que já existem, o sistema bancário tem que ser a primeira e principal fonte de financiamento e em Portugal o ultimo ano foi, por razões conhecidas, muito complicado, o que não deixou de se repercutir também nesta área.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Carlos Moedas, Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, disse recentemente que Portugal continua muito ligado a um conceito de inovação demasiado dependente da tecnologia e que a Espanha está a criar bons exemplos de produção de inovação. Continua afirmando que "...é essencial para a criação de emprego e para uma Europa que seja mais sustentável. Se queremos manter o Estado Social europeu temos de investir mais na inovação, para criar novos produtos e para podermos subir na cadeia de valor". Não podia estar mais de acordo, mas pergunto-me qual o papel do estado na definição de ambiente adequado para a criação de valor para além da tecnologia pura. Aquilo que nos ajuda a escalar negócios de base tecnológica facilita igualmente a deslocação desses negócios para outros países mais conotados com inovação, Carlos Moedas cita o caso da ZARA em Espanha, em Portugal temos uma FARFETCH, empresa ser de base tecnológica com sede no Reino Unido. Fico feliz por que a empresa é "Portuguesa" e tem atividade em Portugal, mas mesmo fazendo uma comparação forçada, pergunto-me sobre critérios de criação de valor em Portugal versus a ZARA em Espanha.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      Dificuldades decorrentes da manutenção de problemas burocráticos excessivos na aplicação dos sistemas de incentivo, envolvendo prazos dilatados nas diferentes fases (avaliação, pagamentos, acompanhamento e auditoria)? Escassa diferenciação dos produtos financeiros de crédito para as empresas e projetos de forte intensidade em I&D? Inexistência de produtos inovadores tanto no sistema bancário como de instrumentos públicos dirigidos às empresas e aos investimentos em I&D? Escassa articulação das políticas científicas e comercial (vulgo “exportações”), limitando as possibilidades de sucesso no acesso aos mercados internacionais; Escassa valorização dos instrumentos de promoção da capitalização das empresas, com manutenção dum “incentivo fiscal implícito” ao endividamento.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      Um discurso político crítico e desmotivador da aposta em I&D? a crise, que levou as empresas a reduzir o investimento em I&D? as restrições ao financiamento por parte da banca; a saída para o estrangeiro de muitos investigadores

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      Em primeiro lugar Portugal continua a investir menos em investigação e desenvolvimento do que o verificado no período antes da crise, neste contexto um problema acentuado por dificuldades já conhecidas no acesso a financiamento e limitações de injeção de crédito na economia. Por outro lado mantém-se uma elevada e injustificada complexidade para a preparação e submissão de candidaturas, e critérios que ganhariam com uma maior clareza e objetividade na avaliação dos incentivos à I&D, sejam eles fiscais, no caso do SIFIDE, ou financeiros, no caso do Portugal 2020.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Financeiros, essencialmente.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      Infelizmente não tivemos nas pastas económicas nenhum ministro que se mantivesse o mesmo tempo que José Mariano Gago se manteve em funções governativas, pelo que temos um grande desequilíbrio entre o nível da investigação científica, de grande qualidade, e a capacidade de absorção e utilização desse conhecimento pelas Empresas.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      X 1. Conseguindo ultrapassar os efeitos da crise económica já de si muito negativos, o Estado desinvestiu na formação e na geração de conhecimento, facto que, a médio prazo, terá efeitos muito negativos na nossa sociedade e, em particular, na sua economia. 2. A falta de qualificação generalizada, em particular entre muitos empresários de PME nacionais é uma limitação considerável apesar disso, foi muito positiva a resposta de muitos face à crise do "seu" do mercado interno, orientando a venda dos seus produtos e serviços para o exterior, com evidentes resultados no volume e na composição das exportações.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      1) Dificuldade no acesso ao financiamento no âmbito do Portugal 2020, como resultado da constante alteração de prazos, dos atrasos nas avaliações das candidaturas submetidas, ou ainda da falta de critérios claros e definidos para a avaliação de incentivos. 2) Apoios à IDI – Apesar de se verificar um crescimento no apoio a atividades de IDI, os incentivos ainda são reduzidos face a outros Estados Membro. Seria importante, por exemplo, prever reduções na taxa da segurança social dos colaboradores afetos a atividades de I&D nas empresas.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      Tal como há um ano atrás, os constrangimentos são os mesmos: 1. Não há uma eficiente exploração dos recursos Humanos, nomeadamente de pessoal qualificado nas Universidades e centros de I&D. Não há eficiente ligação Empresas-Universidades. 2. O acentuado corte a nível de Ciência (corte nas bolsas de doutoramento e PostDoc). Anos de investimento por Governos anteriores (nomeadamente pelo falecido Mariano Gago) fizeram com que Portugal seja um dos países da União Europeia com mais investigadores por permilagem da população ativa, e tenha uma das mais altas taxas de mulheres licenciadas relativamente a homens da Europa. Volto a repetir e a frisar que o investimento em Ciência é fundamental para manter os níveis de qualidade e competitividade de Portugal. Como exemplo, os países nórdicos tem as maiores percentagens de pessoal de I&D e trabalhadores altamente especializados no total de empregados. Quem está neste momento à frente dos destinos de Portugal está a destruir anos de investimento, o que demonstra (no mínimo) uma total falta de visão.

  • c). Indique os principais aspetos em que a política de Inovação tem contribuído, ou não, para a competitividade do País.

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      Uma política de inovação clara e multidimensional é a chave para que um país como Portugal possa suprir a escassez de recursos naturais e projetar-se como potência suportada na utilização do conhecimento. Não são os salários baixos que vão garantir a sustentabilidade económica do país, ainda para mais inserido num contexto europeu de moeda forte. Só através da subida na cadeia de valor dos diferentes negócios conseguiremos progredir. Subir na cadeia de valor implica usar de inovação tecnológica e de modelo de negócio que permita acrescentar valor ao que é produzido, aumentando a produtividade das empresas a partir da mesma base. Para a inovação acontecer com maior impacto, é necessário estabilizar os modelos de financiamento das universidades, criar uma forte ligação academia-empresa e iniciativas coletivas de interação multidisciplinar como por exemplo projetos nacionais mobilizadores. As atuais políticas de inovação públicas levam a uma valorização e forte pendor da produção do conhecimento em detrimento da sua exploração comercial.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      Embora não se possa referir que é uma consequência direta da política de inovação, não podemos deixar de mencionar a importância da escolha de Portugal para a realização da Web Summit. Durante três anos, a Cidade de Lisboa vai receber o maior evento europeu de empreendedorismo, tecnologia e inovação da Europa, tendo o seu fundador afirmado que a escolha recaiu “sobre uma cidade brilhante, com uma comunidade de empreendedores brilhante”. É muito importante que Portugal seja reconhecido como um Cluster de Empreendedorismo e Inovação, pelos seus parceiros europeus. Por outro lado, gostaria de salientar o convite para Portugal integrar o Global Social Impact Investement Steering Group. Portugal, junta-se assim aos países mais industrializados e a algumas das economias emergentes, para coordenar ações, facilitar a partilha de conhecimento e proporcionar assistência técnica aos investimentos com maior impacto social. Uma excelente notícia e um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo Grupo Português de Investimento Social da Fundação Calouste Gulbenkian.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Desenvolvimento de novos produtos inovadores.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      O empreendedorismo é a área da política em que tem existido algum contributo para a competitividade do país. Um enfoque crescente nesta dimensão e alguns novos instrumentos para o efeito, nomeadamente no seed e venture capital, têm contribuído para um crescimento da dinâmica empreendedora do país, que é neste momento impar e com uma tendência de aceleração. Novos fundos previstos para o futuro nesta área irão certamente ajudar este processo. Um aspeto negativo ao nível da política foi a subalternização da política de inovação e empreendedorismo à estratégia de fomento industrial. Compreendendo e valorizando a importância de fomentar a capacidade industrial do país, penso que esta perspetiva limita o alcance e potencial das políticas de inovação e empreendedorismo, que têm necessariamente um âmbito mais alargado.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      Continua a não haver informação fiável.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      A competitividade do país passa, em larga medida, pela capacidade das empresas em singrar no mercado global e existe hoje uma clara consciência de que sem inovação não é possível competir em semelhante contexto. Sem outra alternativa, as empresas têm que apostar na inovação e com isso o país melhora a sua competitividade. A inovação é, finalmente, entendida como um processo criativo, diferenciador e distintivo, que não depende unicamente da invenção resultante da ciência e do I&D. É possível inovar mesmo em coisas simples. A compreensão desta ideia e deste processo tem feito enorme diferença.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Creio que a recente transformação da antiga Adl na ANI Agência Nacional de Inovação, agregando diversos apoios à I&D empresarial é um bom passo, mais transparência e simplicidade é sempre bem vinda. Segundo os dados, mais de metade das empresas (65%) que apresentaram candidatura são «micro ou pequenas», quase um terço (30%) são 'startups' criadas depois de 2010.O recente acordo entre três bancos nacionais e o EIF European Investment Fund no valor de €420 M para aumentar os empréstimos a pequenas e médias empresas inovadoras é igualmente uma boa notícia. Mas é fundamental que exista acesso criterioso, transparente e rápido a quem merece ser apoiado, existem demasiados casos de notícias potencialmente positivas que acabam por não ter os resultados esperados por uma execução pouco transparente e justa.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      O papel positivo na dinâmica de criação de empresas de base tecnológica, nomeadamente nas áreas dos sistemas de informação e eletrónica e das indústrias da saúde, o que tem contribuído para alterar o perfil da especialização económica; Limitado papel dos instrumentos de inserção de investigadores nas empresas e escassa circulação dos mesmos entre as unidades de investigação e a investigação aplicada nas empresas tem contribuído para as dificuldades em valorizar economicamente os resultados do investimento maciço em ciência; A dinâmica muito negativa do enquadramento económico fez baixar fortemente o investimento, e neste do investimento em I&D, não tendo os instrumentos da política de inovação sido suficientes para mobilizar os agentes económicos para uma atitude mais proativa de saída da crise pela I&D.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      É evidente essa contribuição, em particular em setores como o calçado (que se tornou o segundo mais caro do mundo), no têxtil (com ênfase nos têxteis técnicos), no vinho (com grandes melhorias na produtividade e qualidade), na metalurgia (com novos produtos e serviços), nos moldes de plástico (onde tem sido fundamental) e em várias empresas tecnológicas que tem surgido e que se tem afirmado internacionalmente.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      Pela positiva identifico a atuação dos polos de competitividade em áreas tradicionais da nossa economia enquanto catalisadores da I&D e da internacionalização; com a ressalva do tardio processo de revalidação – e financiamento destes e outros polos (o processo ainda está em curso), no quadro do Portugal 2020, o que poderá comprometer o funcionamento e a continuidade dos mesmos e até das empresas que deles fazem parte. Pela negativa, continuam a verificar-se: • Uma ainda ineficaz transferência de conhecimento entre universidades e empresas; • Inexistência de uma efetiva política nacional de inovação que se materialize em algo mais que o Programa Quadro plurianual e que assegure as condições necessárias ao desenvolvimento da capacidade concorrencial da indústria nacional; • A falta de dinamismo e dimensão do setor de capital de risco privado; • Forte desinvestimento na atribuição de novas bolsas (doutoramento e pós-doutoramento) para investigação científica, nomeadamente as de investigação em contexto empresarial.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Escrevi em dezembro de 2010, o seguinte: A parca política de inovação tem contribuído negativamente para a pouca competitividade do país – pior, seria realmente importante desenvolver, de forma profunda, a educação e a cultura, sem a qual, uma tentativa de criar uma política de inovação, será claramente, um eterno fracasso. Voltei a esta resposta, em janeiro de 2013, e reitero-a em janeiro de 2014 e em 2015.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      Respondido em a). A qualidade dos licenciados, mestres e doutores e uma enorme mais valia paras as empresas portuguesas que competem na economia do conhecimento.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      Se se admitir que a única via para aumentar a nossa competitividade a médio longo prazo é a de conseguir que a produção de bens (produtos e serviços) destinados aos mercados interno e externo caminhem progressivamente para valores mais elevados das cadeias de valor, então a solução passa por maior inovação como forma de reagir com preços mais altos a exigências de mercado mais fortes. Ora só será possível acelerar este processo com: 1. Intensificando o esforço de educação / formação da população ativa (área na qual Portugal está, infelizmente, ainda distante de muitos países europeus ou da OCDE). 2. Incentivando o esforço de geração de conhecimento e da sua conversão em valor económico ou social. Ou seja, com políticas de educação/formação e de IDI que, naturalmente tendo em conta as limitações decorrentes da crise económica, sejam agressivas: infelizmente o contrário do que se tem assistido...

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      As políticas de inovação têm contribuído, de forma positiva, para uma mais eficaz implementação de projetos de IDI por parte das empresas Portuguesas. Os apoios disponibilizados permitem às empresas implementar projetos que, de outra forma poderiam não ser executados. Muitas vezes, estes projetos permitem tornar as empresas mais competitivas, não só face aos competidores nacionais, mas muitas vezes, face aos players internacionais, contribuindo assim para uma maior competitividade de Portugal. O aparecimento de cada vez mais estruturas públicas e/ou privadas que visam apoiar start-ups tecnológicas com potencial para escalar não só no país, como também internacionalmente é também claro no panorama de inovação Português.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      Portugal não é neste momento um país que fomente a criação de empregos.

  • d). O que é que o Estado poderia fazer de diferente pela promoção da inovação em Portugal?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      1. Privilegiar a contratação de empresas certificadas em gestão de inovação; 2. Promoção de sabáticas de doutores em empresas; 3. Criar uma política para requalificar licenciados em áreas onde há excesso e desemprego para áreas deficitárias como as TIC; 4. A avaliação académica ter uma componente relativa a “industrialização” de projetos; 5. Acelerar a análise de projetos candidatos a financiamento no âmbito do Portugal2020.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      A crise económico-financeira que o País atravessa, acabou por revelar alguns aspetos positivos ao nível da relação do Estado com as empresas e com os particulares, nomeadamente o aceleramento das políticas de inovação em Portugal e o compromisso irrevogável do Estado, e do setor público em geral, com a inovação enquanto motor do desenvolvimento. Nesta perspetiva, e apesar de reconhecermos bastantes aspetos positivos, entendemos que o Estado deve acelerar os mecanismos de eliminação dos entraves burocráticos ao crescimento. Nesta fase de ténue crescimento económico o papel do estado deve centrar-se na eliminação de barreiras artificiais ao empreendedorismo e criar condições de flexibilidade ao investimento.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Utilizar a rede de laboratórios do estado para apoiar o desenvolvimento de protótipos e a sua industrialização.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      Existem duas dimensões importantes em que algo diferente poderia ser realizado, ao nível de foco da política, e ao nível dos instrumentos. Ao nível do foco da ação política, penso que deveria existir uma aposta mais clara em duas áreas: no empreendedorismo e nas empresas de elevado crescimento (que crescem precisamente porque têm uma dimensão inovadora). Sabemos que as novas empresas e as empresas de elevado crescimento (que se cruzam no fenómeno das gazelas, empresas jovens com elevado crescimento), são responsáveis pela esmagadora do emprego líquido e sustentável criado nas economias modernas. Assim, estas duas dimensões deveriam ser o principal foco da política de inovação no país, com objetivos e métricas claras associadas, por exemplo, a taxa de gazelas ou de empresas de elevado crescimento na economia. Ao nível dos instrumentos, parece-me muito importante a utilização e instrumentos de natureza fiscal para incentivar a inovação e ao empreendedorismo, aspetos que têm estado fora da discussão política. Nomeadamente ao nível do empreendedorismo, existem hoje iniciativas lançadas noutros países com benefícios claros e comprovados. Porventura um dos mais estabelecidos é o Seed Enterprise Investment Scheme (SEIS) do UK Outro instrumento seria um programa de apoio a projetos com elevado potencial de impacto científico e forte oportunidade para a exploração comercial. Estes projetos competitivos apoiariam novas tecnologias com elevando potencial de impacto económico, mas que não estão ainda suficientemente maduras para que exista investimento privado nas mesmas. Estes projetos envolveriam uma unidade de I&D ou universidade e empresas em consórcio, embora pudesse ser considerada a participação apenas de unidades de I&D, desde que com o compromisso de estabelecer de uma nova empresa como resultado do projeto. Estes projetos estariam muito adequados aos objetivos do Portugal 2020, e por isso vale pena considerar como é que seria possível enquadrar estes mesmos objetivos nos programas que estão agora a ser lançados para o mercado.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      Atrair empreendedores e investidores, em vez de assistir à sua 'exportação'.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      O estado deve facilitar, através da simplificação de processos, deve estimular, através de incentivos e deve apoiar, p.e. através de knowhow se o possuir. Retirar menos dinheiro à economia também seria uma ajuda preciosa. Portanto, desburocratizarão e redução de impostos (na medida em que a carga fiscal excessiva asfixia a economia) seriam duas ajudas de peso na promoção da inovação.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Creio que cada vez mais assenta num modelo híbrido de colocar apoios adequados onde faz sentido, e libertar ou mesmo facilitar para que agentes dinamizadores participem essa promoção de forma autónoma ou em rede. Creio que nos últimos 2 anos ficou provado que os empreendedores Portugueses são capazes de criar valor e de projetarem o nome do país e dos Portugueses de forma mais ou menos autónoma, vejam-se os casos da Startup Lisboa Startup Braga, nestes casos é preciso apoiar naquilo que faz sentido e basicamente deixar que a dinâmica natural dos empreendedores faça o resto. Nem sempre será esta a melhor maneira de agir.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      Promovendo de forma muito a ativa a circulação de investigadores entre as universidades e as empresas, o papel relevante nos percursos académicos dos programas doutorais em ambiente empresarial; Criando, em articulação com o sistema financeiro, produtos inovadores de capital e divida dirigidos a empresas e projetos, nas suas diferentes fases de desenvolvimento, que apostem em programas estruturados de I&D.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      Voltar a ter um discurso político de apoio à I&D? apoiar as empresas que contratam investigadores e dar benefícios fiscais a quem inove em produtos e serviços; e lutar para que durante a próxima legislatura o esforço de investimento em I&D se aproxime dos 3%.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      De forma eficaz, e com os devidos mecanismos que garantem a sua implementação, promover uma efetiva cooperação entre a academia e a indústria que culmine em atividades de Investigação & Desenvolvimento orientadas para o mercado e fruto de um entendimento claro entre ambos os mundos para a resolução de problemas concretos, de cariz estratégico ao invés de tático, privilegiando áreas de investigação relacionadas com objetivos de longo prazo e a formação das pessoas. Aquela promoção deverá ser acompanhada de uma utilização mais racional e eficaz do financiamento do SCT, bastante reduzido com os atuais limites existentes, evitando condições convidativas à fuga de cérebros e desenvolvendo um ambiente mais propício ao empreendedorismo e à inovação. Sublinharia ainda a necessidade do cumprimento por parte do Estado dos compromissos de investimento plurianual nas Universidades com as quais contratou o modelo de funcionamento baseado no Regime Fundacional, mal haja espaço orçamental para o fazer. A adoção deste modelo preconiza, entre outros aspetos, a modernização da gestão destas instituições e sua maior integração com a sociedade civil (e com a comunidade empresarial em particular).

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Definir uma estratégia com base no mérito e nas capacidades atuais e nas necessidades que precisam de ser colmatadas.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      Perguntar às empresas que inovam como se faz. Neste momento a Fundação para a Ciência e Tecnologia tem em funcionamento um programa de doutoramentos em que pediu a participação de empresas, não as consultou quanto ao formato e modelo operacional, acabando por produzir um contrato tipo relativamente inexequível.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      Vai sendo reconhecido que aquilo que mais tem falhado na política de inovação são resultados concretos (medidos em termos de novos produtos, novos processos, patentes, etc.). Neste contexto, faria todo o sentido que nos estímulos à inovação fossem discriminados positivamente os outputs (em vez dos inputs) do esforço de inovação. A título de exemplo, citam-se: a) As empresas com bons resultados decorrentes da introdução de novos produtos ou de novos serviços em mercados nacionais ou estrangeiros (sobretudo nos segundos e especialmente nos mais competitivos). b) As universidades (ou outros centros de geração de saber) que demonstrem capacidade para converter o conhecimento que geram em valor económico ou social significativo (em particular em cooperação com o mundo empresarial). c) Na versão atual do programa SIFIDE, incluir custos de Inovação (e não apenas custos de I&D). Modificar a orientação atual do SIFIDE mais para o apoio a resultados (outputs) do que a inputs.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      Descentralizar este tema, dando maior autonomia às Cidades (ou áreas metropolitanas) em articulação com as universidades, para que possam ser as promotoras da oferta que disponibilizam às empresas. É depois importante assegurar que todo o ciclo de inovação esteja alinhado e responda aos domínios definidos como prioritários para o país e para as regiões.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      Exatamente o mesmo que sugeri em janeiro de 2014: 1. Aumento do investimento na Ciência e Educação. No documento “Education at a Glance 2012”, a OCDE defende uma maior aposta dos governos na educação, até porque os Estados poderão ter um retorno quatro vezes maior ao investimento nesta área. 2. Aumento dos incentivos fiscais para negócios de I&D, e ligações indústria-universidades.

  • 2.. Indique quais foram, em sua opinião, os principais factos ocorridos no último semestre que influenciaram a política de inovação em Portugal.

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      1. A operacionalização da ANI – Agência Nacional de Inovação. A ANI, participada pela FCT e pelo IAPMEI (50/50), assume-se como plataforma para promover o alinhamento das políticas de I&D, Inovação e Empreendedorismo de base tecnológica, nas áreas da Ciência e da Economia. No entanto surge refém daquelas duas entidades com sobreposição de funções, não tendo contribuído para uma maior clarificação. Esperemos que seja apenas da sua juventude e que haja coragem de criar uma única e verdadeira Agência Nacional de Inovação. 2. Os primeiros resultados das candidaturas ao Portugal2020 parecem traduzir um falhanço prático das estratégias de especialização inteligente que urge corrigir e alinhar.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      Aprovada em dezembro do ano passado, a Estratégia Nacional de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente, promete ser uma ferramenta importante ao serviço da Inovação. Com efeito, é essencial identificar as vantagens competitivas do País e das suas regiões de modo a potencializar o investimento e a fazer as escolhas acertadas no que diz respeito às grandes apostas estratégicas de Portugal ao nível da inovação.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      A mudança de governo será sem dúvida algo muito significativo nestas políticas, embora não exista ainda uma manifestação de como é que o novo governo irá atuar nestas áreas. O lançamento do Portugal 2020 é o outro facto importante dos últimos meses.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      A continuação do discurso sobre a austeridade, que esconde a arbitrariedade.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      Destaco a disponibilidade do programa Portugal 2020. Veio no momento certo, também pela escassez de financiamento que se tem sentido. A adesão massiva mostra duas coisas: o crescente aparecimento de projetos e a correspondente necessidade de financiamento. Nem todos são projetos de inovação, mas muitos sê-lo-ão certamente.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      A redução, mesmo que pequena, do número de jovens desempregados é uma boa notícia, principalmente quando aumenta igualmente o numero de contratos a prazo e/ou longa duração, estamos lentamente a escapar dos famigerados recibos verdes. A educação ainda em estado lastimoso tem melhorado, pelo menos de acordo com a OCDE, e Lisboa foi recentemente selecionada como uma das European Entrepreneurial Regions (EER). Entidades como a Betai continuam a ter um papel importante na inovação, veja-se o impacto da Lisbon Challenge na colocação de Lisboa no mapa das cidades inovadoras, eventos como a recente conferência Productized ou da revista Monocle sobre qualidade de vida fazem a sua quota-parte. Não esquecer o papel da COTEC e das iniciativas como o programa COHitTEC, o Acelerador de Comercialização de Tecnologias ACT e outras que de forma interligada ajudam na criação de contexto para a inovação.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      As controvérsias excessivas sobre os mecanismos de avaliação de desempenho dos centros de I&D produzem uma imagem negativa, em contrapondo com os bons exemplos que no domínio da ciência existente; A manutenção do SIFIDE até 2020 e algumas alterações positivas nas suas regras, assim como as introduzidas no Código do IRC, melhoraram o conteúdo da política fiscal como instrumento de promoção do investimento, enquanto a entrada em vigor do Portugal 2020 e a inclusão duma medida visando apoiar a integração de investigadores nas empresas pode melhorar a lógica dos instrumentos financeiros, mas o ritmo de execução destes instrumentos no último semestre não é muito encorajador.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      O facto da Farfetch ter sido valorizada em mil milhões de dólares, o primeiro unicórnio português. O facto da Uniplaces e da Talkdesk terem conseguido levantar importantes somas de dinheiro nos mercados internacionais para prosseguirem os seus projetos. O facto de Portugal ter ganho a Web Summit, que se vai realizar em Lisboa nos próximos três anos. E o facto do novo ministro da Ciência ser Manuel Heitor, o colaborador mais direto de Mariano Gago, sem dúvida o grande responsável pela espetacular melhoria dos patamares de I&D em Portugal nos últimos 20 anos.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      O contexto de austeridade, embora menos impactante que nos últimos 2 anos, continua a ser certamente um dos principais fatores de influência, neste caso negativa, na política de inovação em Portugal. Por outro lado e com o efeito precisamente contrário, a retoma do crescimento, embora a números modestos, marcou também a necessidade de recuperar alguns dos níveis de investimento para patamares anteriores aos do Memorando de Políticas Económicas e Financeiras. Assim, no OE 2015, apesar de extremamente austero em diversos âmbitos, destacando-se pela negativa a diminuição acentuada do financiamento no ensino básico e secundário; verificou-se um aumento no financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, por exemplo, que é a principal instituição financiadora do sistema científico português.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Não encontro nenhum facto que se destaque.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      Nenhum.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      Paradoxalmente, a enorme crise que o País atravessa tem, indiretamente, dado o principal contributo positivo para a inovação (mas não à política de inovação). De facto, os empresários capazes têm-se visto obrigados a procurar novos produtos, processos ou mercados (em particular, estrangeiros), para fazer face às dificuldades com que as suas empresas se confrontam. E com a falta de recursos com que a generalidade das empresas vive – em particular de recursos financeiros – as soluções eficazes têm de ser inovadoras. Do lado negativo, e em resultado das prioridades que a própria crise tem imposto ao Governo, vivemos sem uma política de inovação digna desse nome há demasiado tempo.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      No setor das TIC, tem sido claro o esforço em localizar em Portugal eventos importantes a nível Europeu e mundial. Neste contexto salienta-se o “ICT 2015 - Innovate, Connect, Transform” (organizado pela Comissão Europeia e pela FCT), assim como o Web Summit 2016, o maior evento de empreendedorismo, tecnologia e inovação da Europa. O tema da Inovação parece também ser dos poucos onde se consegue sentir um real consenso politico nacional.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      A atual política influencia negativamente o crescimento económico de Portugal.

  • 3.. Indique as principais inovações, a nível nacional e internacional, que mais o marcaram nos últimos 6 meses.

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      A divulgação com testes de campo nos Estados Unidos pela Verizon e em Portugal pela PT da nova geração de tecnologia de fibra ótica (NGPON2) em que a PT Inovação foi pioneira e conseguiu transformar-se numa referência mundial. Este sucesso é resultado da colaboração estreita e continuada que tem havido com a universidade e startups.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      Por um lado, gostaria de salientar a implementação do “Programa Portugal 2020” que consiste em conceder apoios financeiros a projetos que contribuam para o aumento do investimento empresarial em atividades inovadoras e o reforço da capacitação empresarial das PME’s para o desenvolvimento de bens e serviços, com especial destaque para as áreas da competitividade e internacionalização, inclusão social e emprego, capital humano, sustentabilidade e eficiência no uso de recursos. Por outro lado, é incontornável mencionar o anúncio, pelo Comissário Carlos Moeda, do programa-quadro “Horizonte 2020”. Este programa contém algumas medidas concretas com impacto no futuro da economia europeia, nomeadamente modernização da indústria transformadora europeia que nos parece ser um desígnio europeu de crucial importância. No que diz respeito a Portugal, este programa conta com uma verba destinada a Pequenas e Médias Empresas que pode ser utilizada pelas empresas altamente inovadoras, constituindo um importante estimulo à criação de políticas empresariais de inovação.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Imunoterapia no tratamento do câncer.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      A nível internacional penso que vale a pena destacar os Oculus e o HoloLens, que marcam o inicio do processo de trazer a realidade aumentada para o grande consumo. Penso que, da mesma forma, 2015 foi o ano de afirmação do ‘wearable technology,’ em particular dado o sucesso do Apple watch. Vale a pena ainda notar como inovação internacional, mas em que uma empresa de base nacional, a Veniam, está a dar cartas, que são as redes de internet entre veículos. A nível nacional, e com impacto internacional, o grande destaque vai naturalmente para o Patient Innovation, a rede de partilha de soluções desenvolvidas por doentes para melhorar a sua qualidade de vida.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      Não houve inovações radicais.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      A inovação está hoje presente na estratégia de desenvolvimento da generalidade das organizações e o seu outcome é tão substancial que este me parece ser o facto mais relevante a salientar. Existirão sempre, naturalmente, destaques a fazer, mesmo que subjetivos. Contudo, muito devido ao continuo desenvolvimento tecnológico e à ciência, a criação inovadora e que importa é cada vez mais efetiva, produz melhores resultados, é mais consequente e resolve mais problemas. Justifica, por isso, reconhecimento.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Creio que ambiente empresarial das Startups está a florescer com cada vez mais casos de sucesso internacional, cito apenas alguns com a Codacy (ferramenta para programadores), Unbabel (tradução online), Pintoo e a Bitalino (kits para a prototipagem de hardware), Uniplaces (gestão de arrendamento para estudantes). Mas a inovação também se faz de grandes empresas e fileiras, veja-se o continuado sucesso da Amorim na penetração dos mercados internacionais com a cortiça, ou o sucesso dos nossos vinhos, do calçado e do azeite. E também da novação na arte urbana, veja-se o caso de VIHLS/ Alexandre Farto. A nível internacional estou completamente viciado na atitude e no impacto de Elon Musk da TESLA, inovar em qualquer uma das fileiras onde está a atuar transportes, energia solar, exploração espacial seria fantástico, inovar em todas elas ao mesmo tempo e de forma tão radical, com tanta atenção à inovação total (tecnologia e design), deixa-me completamente rendido.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      Os passos dados, cada vez mais consistentes, em mecanismos que permitem movimentos em doentes paralisados ou com fortes limitações motoras através de comando neuro-sensorial pela amplitude dos impactos humanos, em qualidade de vida, e pelo enorme campo de aplicações futuras que permite antever um melhor conhecimento dos mecanismos de articulação homem-máquina.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      Netflix e Snaptchat.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      No que respeita a principais domínios de inovação tecnológica, aponto: • Os progressos na chamada “internet das coisas” e suas aplicações; • Os veículos autónomos, que têm progredido rapidamente e que prometem vir a desempenhar um papel de relevo, quiçá preponderante, na mobilidade de pessoas e mercadorias; • Desenvolvimentos na engenharia genética e na medicina regenerativa; • Avanços no desempenho e nos domínios de aplicação da inteligência artificial; • Novas baterias elétricas que armazenam e fornecem energia elétrica para residências, comércios e escritórios, além de veículos; que poderão fomentar o surgimento de novos modelos de negócio e alterações profundas na matriz energética das cidades e países e nas respetivas redes de distribuição elétrica. • Massificação do uso de drones – sobretudo para fins recreativos, mas que apontam para uma evolução para utilizações profissionais/empresariais; • Desenvolvimentos em pagamentos móveis; • Novidades nos wearables, com destaque para os recentes desenvolvimentos quer em hardware, quer em software que potenciam a realidade aumentada e realidade virtual, mas também os que facultam às pessoas assistentes digitais orientados à melhoria da sua produtividade, da sua comodidade e/ou do seu estilo de vida. Por outro lado, quanto a inovações viabilizadas pela tecnologia, mas não estão centradas nesta, destacaria o florescimento de novos negócios assentes numa filosofia de “sharing economy” /ou em modelos transacionais peertopeer ou ainda em modelos de subscrição e relação continuada em territórios dominados até agora por lógicas transacionais e relacionamentos episódicos.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      O facto que o Prémio Nobel da Medicina 2015 foi atribuído aos inventores do medicamento ivermectina, do qual a Hovione é o maior fornecedor mundial para o laboratório inovador desse produto. As terapias da hepatite C que pela primeira vez trazem uma cura para uma doença mortal. Descobertas científicas na Hovione.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      A nível nacional, continuo anualmente a ser marcado pelos prémios atribuídos pela COTEC e pelo mérito de muitas das empresas da Rede das PME Inovadoras COTEC Tal sucede em resultado de os prémios serem atrativos pela sua visibilidade, de os critérios de seleção adotados pelos júris serem exigentes e de tomarem simultaneamente em conta o desenvolvimento tecnológico e o impacto económico deste. A nível internacional, tal como referi em edições anteriores, quase todas as semanas me detenho em notícias que relatam desenvolvimentos muito interessantes (em variadíssimos setores de atividade), sem que, na minha cabeça nenhum verdadeiramente se sobreponha aos restantes.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      Não consigo identificar nada especifico nos últimos 6 meses. O que me parece cada vez mais claro é que o país está a conseguir tirar partido da necessidade de encontrar saidas para a crise. Existe maior abertura ao risco, existe maior empreendedorismo e novos produtos e processos têm maior aceitação.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      No ultimo ano, Ciência e Arte estiveram em alta em Portugal: 1. Jovem português ganha 2 medalhas de ouro em Bruxelas em competição de dança http://www.taaltamente.com/jovemportuguesganha2medalhasdeouroembruxelas/ 2. Jovem bailarino do Porto na escola de dança da Ópera de Paris http://observador.pt/2015/07/05/jovembailarinodoportoprimeiroportuguesnaescoladancadaoperaparis/ 3. Três alunos de Castelo Branco escolhidos para orquestras internacionais http://sicnoticias.sapo.pt/pais/20150514TresalunosdeCasteloBrancoescolhidosparaorquestrasinternacionais 4. Jovem de 13 anos revalidou o título de melhor do mundo em cálculo mental http://www.tsf.pt/vida/interior/ministrodaeducacaoojoaoeumjovemexcecional4564823.Html 5. Há três bailarinos portugueses entre os melhores do mundo http://www.dn.pt/artes/interior/hatresbailarinosportuguesesentreosmelhoresdomundo4525311.html 6. PharmAssistant em parceria com a Bayer. Solução portuguesa vai ser testada em Berlim http://observador.pt/2014/12/02/pharmassistantemparceriacombayersolucaoportuguesavaisertestadaemberlim/ 7. Bosch em Braga recebeu Prémio Europeu de Excelência http://www.verportugal.net/vp/pt/42022/ComercioIndustria/2392/BoschemBragaprimeiraportuguesaareceberPr%C3%A9mioEuropeudeExcel%C3%AAncia.htm

  • 4.. Indique quais são, em sua opinião, os principais fatores que:

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

    • Zita Martins

      Zita Martins

  • a). Estimulam o empreendedorismo em Portugal

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      1. Infelizmente a crise económica que se prolonga, obriga muitos a recorrer ao empreendedorismo como forma de fugir ao desemprego; 2. Alguns exemplos de empreendedores portugueses bem-sucedidos no plano nacional e mundial; 3. Menores custos à entrada e barreiras tecnológicas mais baixas para criar e manter uma atividade, na cada vez mais Economia Digital.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      A falta de emprego continua a constituir o principal estímulo ao empreendedorismo. De facto, temos assistido a um fenómeno de criação de alternativas aos empregos tradicionais que me faz alimentar a esperança nesta geração de jovens. A procura de soluções para a intermitência das atuais relações laborais tem permitido aos nossos jovens contornar os obstáculos e fazer das fraquezas, forças. Continuam a ser os nossos melhores embaixadores.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Formação adequada aos empreendedores.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      • Existência de um conjunto cada vez mais significativo de investigadores com capacidades técnicas e investigação científica de ponta; • Prémios reconhecidos de apoio a projetos inovadores com cariz empreendedor (eg. Novo Banco Inovação? EDP Inovação? CaixaEmpreender, Lisbon Challenge, entre outros); • Várias incubadoras e aceleradoras no país com uma ideia clara do seu papel no estímulo ao empreendedorismo (eg. Startup Lisboa, Fábrica de Startups, betai, a minha própria escola, a CatólicaLisbon); • Clubes/ Iniciativas de Empreendedorismo nas universidades.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      A abertura, as interações sistemáticas, o capital de risco.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      A inexistência de alternativas tem funcionado como estímulo à iniciativa individual, mas presentemente já existe uma realidade diferente. O empreendedorismo é assumido, à partida, como o caminho seguir por muitos, sejam jovens em inicio de vida, sejam pessoas já com outras experiências que descobrem na inovação e no empreendedorismo a melhor opção profissional. Como estímulos que criam conforto e dão confiança, destaco a formação (em empreendedorismo e áreas associadas), o apoio (p.e. logístico, financeiro) e os bons exemplos.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Stephan Morais da Caixa Capital, um Yound Global Leader com o World Economic Forum, num artigo sobre a Europa e a sua continuada crise de confiança, recorda afinal aquilo que estimula Portugal e a Europa. Ele cita barreiras e capital necessário para iniciar empresas, capital humano qualificado, empresas que se globalizam (das empresas globais avaliadas em mais de $1B, 40% são europeias), na qualidade de vida e segurança em geral. Afinal, quem melhor souber jogar com estas diferentes vertentes acabará por criar condições para o desenvolvimento do empreendedorismo.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      Algumas características culturais ligadas ao espírito de iniciativa em situações de adversidade; Desenvolvimento de instituições, iniciativas e redes de caráter cooperativo, de que são exemplos mais recentes a Startup Lisboa e a Braga Invest, tanto pelo impacto direto como pelo exemplo de boas praticas que proporcionam; A valorização social duma cultura de inovação, de acumulação de novas competências, de aprendizagem ao longo da vida, de bons exemplos no domínio da ciência e de empresas de base tecnológica, como estímulo a novos comportamentos; A existência de mecanismos de financiamento e descapitalização adequados às diferentes fases do ciclo de vida dos projetos e empresas de base tecnológica e de conhecimento.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      Discurso político favorável ao empreendedorismo; enquadramento legal que facilite o empreendedorismo; condições de financiamento favoráveis.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      Numa escala micro continua a ser a necessidade. Num contexto recessivo como o atual onde as oportunidades escasseiam a muitos não resta outra alternativa que não seja a via do empreendedorismo para a criação do próprio emprego. Num contexto macro, válido para Portugal ou para outros países mais ou menos desenvolvidos num contexto de globalização a curiosidade junta-se à necessidade, e ambas aguçam o engenho. As vantagens competitivas são cada vez mais subtis; as organizações que sobrevivem são aquelas que mais rapidamente se adaptam. Empreender, ser inovador e antecipar as necessidades dos clientes é hoje um fator crítico de sucesso para pequenas e grandes empresas.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      A existência de um mercado externo e o querer fazer alguma coisa pelo nosso País.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      A necessidade. A falta de oportunidades na economia convencional.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      Infelizmente, a necessidade que decorre da falta de emprego, qualificado ou não. Também, mas em menor grau, o despertar entre as camadas jovens mais qualificadas de algum gosto pelo ownership não só de ideias mas também do valor que delas poderá decorrer.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      A Adversidade A adversidade pode ser uma das principais forças motrizes para o estímulo ao empreendedorismo em Portugal. A crise económica do país gerou a necessidade de criação do próprio emprego, muitas vezes em áreas do saber distintas da formação base. Cada vez mais é fomentado um espírito de empreendedorismo, quer nos cursos de licenciatura, quer em vários programas doutorais implementados em colaboração com entidades estrangeiras de renome. O mindset empreendedor é assim muitas vezes transmitido a alunos com elevados conhecimentos técnicos que assim possuem as ferramentas necessárias para avançar com a implementação das suas ideias (fruto da curiosidade, ou da necessidade). Disseminação de exemplos de sucesso, de jovens empreendedores que são reconhecidos não só em Portugal, como também internacionalmente, fomentando a divulgação do ‘empreender’, ‘inovar’ como algo tangível.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      1. Investimento financeiro na Ciência, Tecnologia e Inovação. 2. Investigação de excelência nas Universidades e Centros de I&D conduz à investigação em áreas criativas e inovadoras, mantendo um nível de rigor elevado. 3. Incentivos fiscais e ligações indústria-universidades.

  • b). Dificultam o empreendedorismo em Portugal.

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      1. A existência de uma cultura que tem aversão à falha quando esta faz parte do processo de melhoria e crescimento; 2. Elevada carga fiscal; 3. Ausência da tónica empreendedora nos percursos académicos e curriculares.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      Apesar de haver alguns sinais positivos, mantêm-se algumas restrições na captação de Capitais e na dificuldade na obtenção de empréstimos destinados a estimular o empreendedorismo.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Burocracia e lentidão de decisão os processos.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      • A dificuldade de acesso e custo de capital para as empresas, em especial na fase inicial antes de a empresa ter maturidade para mobilizar venture capital; • Baixa qualificação e conhecimento específico da população, que limita o potencial das iniciativas empreendedoras; • Tecido empresarial existente avesso ao risco, que dificulta os primeiros negócios nacionais para projetos empreendedores; • Elevadíssima carga fiscal no país para pessoas e empresas.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      A austeridade, o conformismo, a ignorância.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      1) A cultura de medo do falhanço ainda existente, muito embora em menor escala, é um limitador que importa continuar a combater. Esta é uma questão antiga que só com o tempo e as novas gerações será eliminada ou reduzida mais significativamente. 2) A falta de preparação em áreas chave do processo de inovação e em matérias fundamentais do sistema empresarial, é uma lacuna que limita o desenvolvimento e coloca em risco a sustentabilidade das empresas. 3) A dificuldade na obtenção de apoio financeiro mínimo e essencial.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      O recente relatório da OCDE sobre as ferramentas em que Portugal deve apostar aponta para 12 organizadas em Desenvolvimento de Ferramentas, Ativação de Ferramentas, Utilização de Ferramentas que por sua vez criam um sistema que estimula a economia. Destaco 3 dessas áreas de desenvolvimento: 1) Promover a educação de adultos que por diferentes motivos ficaram-se pela educação básica, 62% de adultos entre 25 e 64 anos não acabaram a escola secundária, e a inovação não se faz somente de jovens com menos de 25? 2) Promoção do empreendedorismo de forma sistemática e com métricas adequadas, não esquecer que 1/4 das exportações hoje são de empresas com menos de 10 anos e estas empresas geraram quase metade do emprego em Portugal; 3) Descentralizar de forma controlada, não é possível crescer como país acreditando que tudo tem que ser decidido em Lisboa e Porto, somos um dos países da OCDE com o orçamento mais centralizado e mesmo consciente dos riscos da distribuição de recursos parcos, não creio ser possível provocar mudança continuada e profunda sem um maior nível de descentralização.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      A manutenção dum ambiente económico negativo em Portugal e na Europa, com escasso dinamismo da procura, pública e privada, quebra do ritmo de crescimento do PIB, animismo do investimento privado e público, e em particular a redução do investimento em I&D. Dificuldades de articulação entre competências científicas e de gestão nos projetos empresariais de forte pendor em conhecimento. A continuidade de uma escassa articulação entre os mecanismos de incentivo público, de características interessantes, e um enquadramento pouco sofisticado nos mecanismos de divida e de capitalização. A fraca consolidação de uma política persistente de estímulos na difusão do espírito empreendedor ao nível dos sistemas de ensino. A escassa oferta empresarial de empregos qualificados a jovens de elevadas qualificações educativas, originando uma persistente dessincronia entre oferta e procura.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      A burocracia; as dificuldades de financiamento; a falta de transparência e dificuldade no acesso à informação.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      Continuam a prevalecer em todos os ciclos de ensino estruturas curriculares pouco vocacionadas para o empreendedorismo privilegiando a formação teórica e o estágio em detrimento da construção do negócio próprio, o que potencia a colocação no mercado de trabalho de mais ”colaboradores por conta de outrem” do que empreendedores. No ensino superior, em particular, os currículos de uma maneira geral continuam a privilegiar uma formação teórica sem dar espaço para uma formação prática de cariz mais continuado. Também a histórica ausência de uma cultura de risco em Portugal associada às dificuldades de financiamento, nomeadamente o acesso a capital de risco, são outros dos principais inibidores do empreendedorismo em Portugal. A estes acrescenta-se também a falta de uma cultura de gestão profissional. Por fim, verifica-se ainda pouca disponibilidade das empresas para suscitarem iniciativas de empreendedorismo entre os seus próprios colaboradores, através das chamadas spinoffs empresariais, ou para fomentarem a criação de empresas que venham dar resposta a necessidades que têm e às quais não só o mercado ainda não responde cabalmente, como existiria vantagem numa prestação externa.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Elites financeiras e empresariais sem visão cosmopolita da cultura nacional; uma Administração sem capacidade para avaliar o mérito; um Parlamento desligado da realidade do cidadão comum, a carga fiscal; os investimentos públicos nas suas diversas escalas sem enquadramento numa estratégia ao serviço do Bem Comum.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      A falta de preparação da maioria das pessoas daquilo que é a vida de uma empresa: comprar matérias-primas, emitir faturas, pagar a fornecedores, empregar pessoas, e no final de tudo isto criar valor, gerar lucros e reinvestir uma parte e distribuir a outra. O modelo de financiamento de startups veio baixar a fasquia do sucesso económico. Falhou? Não faz mal, arranja-se mais capital. Falhar é aceitável quando o falhanço se deve a fatores 100% exógenos, fora do nosso controlo, como os ensaios clínicos na minha indústria. Mas vejo muitos serial entrepreneurs que só batem bolas, não marcam golos, e continuam a sua vida.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      1. A cultura bem portuguesa de grande rigor punitivo relativamente aos insucessos (só combatível através de uma progressiva modificação do sistema de ensino a todos os níveis, no que diz respeito à necessidade de que cada um desenvolva cada vez mais as atitudes associadas ao empreendedorismo). 2. A nossa generalizada falta de qualificação, com todas as suas implicações (que vão desde a falta de rigor na análise de oportunidades de negócio até à própria falta de disponibilidade para "sujar as mãos" na preparação e na melhoria de tais oportunidades).

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      A burocracia, a falta de flexibilidade laboral (que já é muito melhor), um Sistema fiscal “caro” para pessoas e empresas e a dificuldade em fechar empresas.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      1. Demasiada legislação a nível de registo de patentes? os custos a nível da União Europeia são também muito mais elevados do que nos Estados Unidos. 2. Falta de comunicação e contacto entre Empresas e Universidades. Por exemplo, empresas na área do desenvolvimento de tecnologia espacial reconhecem que a falta de formação universitária está a dificultar a contratação de mão-de-obra.

  • 5.. Eu, Carlos Moedas. Quais as medidas que o comissário europeu deveria propor para acelerar a inovação na Europa, com especial impacto para Portugal?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      Deveriam ser criados projetos estruturantes europeus (como o foi recentemente com 5G PPP 5G Infrastructure Public Private Partnership), envolvendo todos os países, com grandes empresas como motor, e incluindo no seu ecossistema de desenvolvimento, empresas de menor dimensão ou até PME. É também necessário que haja maior investimento público a nível europeu em grandes projetos transnacionais e inclusivos e, que se tenha a coragem de privilegiar a contratação de empresas europeias e não orientais com processos de produção muitas vezes irregulares ou sem respeitarem a ética laboral e social, para além de infligirem enormes danos ambientais.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      No meu entender, o Senhor Comissário Carlos Moedas deveria continuar a estimular a inovação e competitividade. Assim, e ainda a propósito do programa “Horizonte 2020”, poderia promover a simplificação e desburocratização das candidaturas de acesso aos fundos e incentivar a criação de parcerias e clusters de PME’s a nível europeu, por forma a ganharem escala que lhes permita ser mais competitivas na internacionalização fora do espaço comunitário. Por outro lado, espero que continue a incentivar o pensamento diferenciado. Aliás, numa intervenção recente, o Comissário Carlos Moedas, lançou um desafio interessante que muda um pouco o paradigma da inovação, propondo que se coloque o foco, não só na inovação tecnológica, mas em tudo o que é a inovação não tecnológica, defendendo ainda que o investimento na inovação é essencial para a criação de emprego. "A pedra de toque será a Europa e a Inovação. Na Europa vamos ter de fazer escolhas: entre continuar a investir apenas em áreas de infraestruturas, que são no fundo a antiga economia, ou investir em áreas da economia do conhecimento". O Comissário refere os casos da Indústria do calçado e da indústria agroalimentar, como exemplo de inovação não tecnológica, e de empresas com capacidade de reinventar modelos de negócio e reinterpretar de forma inovadora os produtos tradicionais.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Incentivos fiscais para as empresas que registem patentes e que as desenvolvam ou as vendam.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      Penso que existem três áreas em que seria importante atuar. • A primeira é o desenvolvimento de instrumentos de apoio a projetos inovadores a que empresas de qualquer estado da união se possam candidatar diretamente em Bruxelas, sem que existam grandes complexidades organizacionais ao nível de colaboração internacional dentro da união. Estes projetos deveriam sim privilegiar iniciativas que envolvam universidades e empresas (em particular startups), e que por isso tenham simultaneamente uma forte potencial para avanço tecnológico e impacto económico; • A segunda área é existir maior enfoque a todos os níveis (estudos, programas, projetos, demonstração) em empresas de elevado crescimento, em particular as mais jovens, as gazelas; • A terceira é o estabelecimento de um mercado digital único. Penso que é uma área a que a Comissão tem dado atenção, e está a evoluir a bom ritmo, mas é critico que se continue a dinâmica.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      Esquecer o discurso da excelência e privilegiar a manutenção e reforço das capacidades básicas locais.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      1) Simplificação/ desburocratização dos processos do H2020, cuja complexidade tem sido um inibidor, sem que isso signifique diminuição de exigência. 2) Criação de uma Rede de Centros de Inovação europeia, financiada pela UE, que possa beneficiar de sinergias, da integração de ideias e de projetos, de maior massa crítica e que possibilite aos países pequenos ganhar escala e aumentar produtividade. 3) A Open Innovation justifica-se nos projetos financiados pela UE. Nos outros, as empresas devem ter a possibilidade de manter alguma reserva, sobretudo por razões de competitividade. 4) Prioridade à ciência, ao I&D e à inovação que façam sentido, sejam relevantes e criem emprego.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Cruzar métricas qualitativas e quantitativas associadas ao crescimento da confiança e da inovação, avaliar onde estão as maiores barreiras económicas mas também psicológicas e culturais, e desenhar em parceria programas que de forma integrada impactam a realidade da Europa e de Portugal. Recordar aos diferentes países, incluindo a Portugal, o efeito positivo de ondas migratórias como com os "retornados" em Portugal a seguir a 1974. Promover um crescimento sem preconceitos, um dos fenómenos do empreendedorismo que mais me entristece em Portugal é o facto de não ser o reflexo do país multicultural e multirracial que Portugal é na sua essência.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      Uma abordagem inter-fundos dirigida a produtos e serviços em saúde, função da identificação de necessidades do mercado, envolvendo conceção, desenvolvimento e fabricação, dirigida às empresas midle cap, envolvendo uma exceção às regras de auxílios de Estado que permita taxas de apoio idênticas ao ESL (equivalente de subvenção liquida) dirigida às infraestruturas cientificas e tecnológicas universitárias.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      Deveria propor um grande desafio aos países europeus: a criação de alternativas europeias ao Google, ao Facebook e ao Whatsapp; ou algo diferente mas capaz de ser utilizado a nível mundial.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      A estratégia da Europa 2020 estabelece como prioridades para o século XXI o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação, mais eficiente em termos de utilização dos recursos e mais inclusiva, com níveis elevados de emprego e que assegure coesão social e territorial. Seu conteúdo não difere muito da chamada "agenda de Lisboa" (20002010) no que respeita às medidas propostas. Reconhece-se que faltou à segunda uma maior efetividade dos mecanismos de implementação e os avanços preconizados ainda estão por ocorrer. No campo da inovação, nomeadamente empresarial, aquilo que ainda distingue os EUA da União Europeia, por exemplo, é a capacidade em criar de forma abundante startups inovadoras com abrangência e impacto global. Ecossistemas como Silicon Valley, Seattle, Los Angeles, Nova Iorque, Silicon Hills, Boston, entre outros; atuam como hubs que promovem e alavancam o investimento público e privado em I&D, o emprego qualificado, o fortalecimento das entidades do sistema científico e a geração de riqueza. Deste lado do Atlântico pode-se destacar a capacidade de geração de riqueza de ecossistemas existentes em cidades como Londres, Cambridge, Munique, Barcelona, Tampere ou mesmo Tel Aviv? sem a pujança, no entanto, de suas contrapartes na América. Acredito que o Comissário Europeu Carlos Moedas deverá tomar medidas que levem ao fortalecimento da chamada “Europe Research Area”, que potencie a inovação na UE e em Portugal e que se consubstancie na criação e dinamização de novos ecossistemas europeus (como Porto e Lisboa, que receberá o Web Summit nos próximos 3 anos, este que é um dos mais importantes eventos europeus de tecnologia, empreendedorismo e inovação) devendo sobretudo estar apoiadas em ações efetivas que proporcionem: 1) O aumento do investimento em I&D público e privado; 2) A diminuição da emigração de investigadores e alunos de pós-graduação, ou fuga de cérebros “brain drain”; 3) A dinamização de um setor efetivo de capital de risco privado para a criação de uma vibrante e dinâmica comunidade de startups; 4) O atingimento da meta de investimento de 3 % do PIB da UE em I&D ao mesmo tempo em que sejam melhoradas as condições que regem a I&D privada na EU, nomeadamente no que respeita à simplificação dos pedidos de patentes e marcas e o acesso aos fundos Europeus para a I&D; 5) O estímulo à criação de mais vagas para alunos internacionais universitários nas áreas técnicas/científicas STEM.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Conhecer a realidade dos cidadãos e criar uma burocracia de suporte ao desenvolvimento da União, que sirva a cidadania europeia, e não o inverso.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

      O Carlos Moedas não tem impacto nas políticas de inovação, estas têm ciclos de vida de 3 a 10 anos e em prazos mais curtos são exclusivamente decisões financeiras. Alguém alguma vez disse em Bruxelas "Vamos curar o cancro, a malária e o Alzheimer e no entretanto vamos a Marte"? Ninguém. Portanto vamos a políticas que um sucessor mais inspirado do grande Mariano Gago poderia fazer: 1. Introdução de uma cadeira de propriedade intelectual nas universidades portuguesas para não-juristas, i.e. engenheiros, médicos, gestores, biólogos, arquitetos... 2. Obrigatoriedade para empresas com mais de 250 empregados e em certos CAEs, de empregar 2% de doutorados para poderem ser elegíveis para H2020, P2020, etc. 3. Alinhamento obrigatório e coordenação de certas atividades dos Ministérios da Ciência & Tecnologia e da Economia. Não vale a pena estar a criar muitos cientistas se as empresas não conseguem absorver o que já não cabe nas universidades.

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      Na essência, devia tentar duas linhas: 1. Transferir parte da orientação (e do orçamento) que atualmente é esmagadoramente centrado na I&D para a IDI (ou, se se quiser, especificamente para a Inovação). 2. Apoiar de forma diferenciada as instituições que participem nos diferentes projetos ou programas, tendo em conta o estado de desenvolvimento dos Estados de onde sejam oriundos relativamente ao grau de educação dos seus cidadãos ou à qualidade da sua IDI (por exemplo, parece-me escandalosamente pouco solidário que Portugal seja, ou pelo menos tenha sido ao longo de anos, um contribuinte líquido dos Programas Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico da UE).

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      Em linha com o que já é definido como responsabilidades do Comissário para a Investigação, Ciência e Inovação, considero que as seguintes medidas podem contribuir para uma aceleração na inovação na Europa: 1) Promover um maior envolvimento entre todos os atores, de modo a assegurar que os desenvolvimentos realizados pelas empresas e pelas Universidades estão em linha com os domínios prioritários definidos para o país (e para a Europa) 2) Promover uma maior aprendizagem entre Estados Membros, fomentando por exemplo a adoção de processos e metodologias em Portugal que tenham tido resultados positivos noutros Estados Membro. 3) Criar mais mecanismos de disseminação da excelência científica e dos desenvolvimentos tecnológicos realizados em Portugal.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      Maior investimento a nível de Ciência e facilitar o processo de candidatura a financiamento (isto é, menos burocracia). A nível de Portugal, criação de equipas de apoio as candidaturas para financiamento, nomeadamente a ERC grants e outros financiamentos Europeus. Além disso, maior criação de empregos permanentes nas Universidades e Unidades de I&D, de forma a injetar sangue novo no sistema.

  • 6. Na minha organização, a inovação mais recente e com impacto foi ...? Porquê e que benefícios gerou?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      A inovação mais recente foi a apresentação pública e pela primeira vez no mundo, da segunda geração de tecnologia de fibra ótica (NGPON2) com velocidades simétricas e sintonizáveis para qualquer um de 4 comprimentos de onda, permitindo atingir 40Gb/s. A industrialização está a decorrer, e a PT Inovação, como primeiro player a nível mundial a mostrar esta tecnologia em funcionamento, posiciona-se para conquistar o apetecido mercado norte-americano através das parcerias apropriadas.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      Ao nível do nosso setor de atividade teve especial impacto o novo regime de acesso ao comércio que liberaliza horários e simplifica licenciamentos. Além da simplificação do regime de licenciamento comercial, que vem acentuar a tendência recente de desburocratização, reveste bastante importância a eliminação da época de saldos em datas predefinidas. Com efeito, passando a ser o comerciante a definir a época do ano em que pretende realizar saldos dos seus produtos, permite-se-lhe uma gestão mais racional das suas existências, mantendo-se, no entanto, um absoluto respeito pelos legítimos direitos dos consumidores.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      A inovação mais significativa é a utilização de novas tecnologias no ensino, que está a alterar a forma como as aulas são dadas e os alunos aprendem, por toda a universidade, e certamente também na Católica Lisbon.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      A digitalização. Não se pode entrar no futuro de marcha atrás.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      Nada a destacar neste momento.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Estou há 5 anos a residir no estrangeiro, ligado a Portugal por muitas e boas razões. Mas na empresa onde desempenho funções, a inovação mais recente e com impacto foi a descoberta de novos modelos de negócio para o grande retalho, que resulta da utilização de princípios de design bem antigos; simplificação de oferta e construção de sistemas que permitem ao consumidor customizar o que pretende. Modelos tradicionais de retalho assentam na oferta de um produto para cada segmento, ou de produtos que forçam os consumidores a alinharem numa única solução. A desconstrução de fileiras de produtos em sub-componentes e a oferta de sistemas simples de construir uma solução personalizada tem dado novo fôlego ao retalho físico pressionado pelo comércio na Internet.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      A conclusão do programa de I&D dum novo produto, o anti-parkinsoniano, Ongentys, porque permite alargar a gama de produtos de BIAL fruto das capacidades internas com presença nos mercados mundiais, de modo a dar corpo à nossa ambição de transformar a companhia numa empresa de inovação à escala global, com presença comercial nos principais mercados mundiais.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      O Snapchat, que o Expresso utilizou na cobertura da campanha eleitoral. O maior benefício foi a imagem de modernidade que trouxe para o jornal, provando que o Expresso não está parado no tempo e que utiliza todas as plataformas para promover a marca e chegar a novos públicos.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      A dimensão da SONAE e a diversidade de atividades e setores em que atua torna muito difícil apontar apenas uma inovação. Em 2014 voltámos a aumentar o nosso investimento em Inovação, traduzido em projetos que possuíram amplitude compatível com a dimensão e complexidade das operações dos nossos negócios e que representaram avanços significativos nas tecnologias da informação, métodos e processos de gestão, operações e logística, inovação social e desenvolvimento de produto alimentar e não alimentar. Estas inovações têm sido marcantes na esfera da companhia mas também na inovação empresarial nacional e internacional. Eis alguns destes projetos: Retalho alimentar: Operações Shop View: vencedor do SONAE MC Innovation Awards 2015, o Shop View é uma solução inovadora para a validação de planogramas de lojas que compara o layout dos produtos nas prateleiras com as informações do mesmo, com o objetivo de detetar erros e também oportunidades; consubstanciada num equipamento 100% operacional que pode atuar em lojas sem distinção quanto à iluminação das mesmas e que apresenta robusta visão artificial baseada em inovadores algoritmos. Retalho alimentar: Desenvolvimento de produto Novo conceito de presuntos fatiados: Um novo conceito, único e integrado desde o produto à embalagem, consubstanciado numa nova gama de presuntos curados que apresentam elementos comuns nos segmentos “Sabores Clássicos”, “Sabores de Portugal” e “Sabores do Mundo” mas que asseguram em cada um deles um caráter personalizado. O projeto recebeu uma menção honrosa no SONAE MC Innovation Awards 2015. Retalho não-alimentar: Desenvolvimento de produto Note! Innovation in Backpacks: A nova gama de mochilas note! Desenvolvidas na SONAE apresenta fatores distintivos como a reversibilidade, soluções 2 em 1, leitores de media e colunas de som incorporadas e ecrãs LED que respondem ao som; numa perfeita combinação de inovações em tecnologia e design. O projeto recebeu uma menção honrosa no SONAE MC Innovation Awards 2015. Retalho especializado: Têxteis técnicos Deeply Zipperless Wetsuit: Um inovador fato sem fechos, leve, flexível e confortável desenvolvido na SONAE desde uma sessão de Stimulating Creative Thinking e que atualmente é utilizado por Vasco Ribeiro, atual campeão mundial Junior de Surf. BERG Pantera Trail Running Shoe: Desenvolvida com a colaboração do ultramaratonista Carlos Sá para atender altas demandas por performance de atletas de competição, a sapatilha Pantera disponibiliza as condições perfeitas de conforto, flexibilidade, alta resistência e aderência. Midnight Glow: A gama para corrida Outpace Midnight Glow da SportZone inclui tshirts, calças, calções e casacos que proporcionam aos corredores segurança através de alta visibilidade à noite ao utilizar materiais especiais refletivos. Sonae Sierra: Gestão de operações em centros comerciais BabyCare – Um Espaço Bebé que representa uma nova geração de fraldários para Centros Comerciais, implementada recentemente no Colombo em Lisboa. Trata-se de um espaço para as mães poderem alimentar e trocar fraldas das crianças que utiliza novos equipamentos criados de raiz ou adaptados, e um novo conceito de cocoon (casulo), assegurando a privacidade e o conforto das mães. O tempo médio de permanência no fraldário passou de 15min para entre 3045min, uma clara melhoria na experiência do cliente. Whatsapp consultant Vencedor do SONAE SIERRA Innovation Award 2015, consiste na utilização da ferramenta de mensagens instantâneas whatsapp no provimento de funcionalidades de apoio ao cliente nos Centros Comerciais. O projeto foi desenvolvido e implementado na SONAE SIERRA Brasil em 4 Centros Comerciais, e criou a figura dos Helpers “tuned and young minded people” como concierges que utilizam tablets e telemóveis para ajudar os clientes via whatsapp. Mais de 25 mil interações decorreram no Whatsapp Consultant entre Janeiro e Abril de 2015, que já conta com 22 mil utilizadores registados e impressionantes 393.000 likes no facebook, representando um excelente feedback dos nossos clientes. Na SONAE também buscamos ser líderes no campo da inovação social e promovemos iniciativas de fomento à inclusão social, ao emprego e à valorização do capital humano: em 2014, nossos colaboradores deram 6.841 horas de voluntariado em projetos icónicos como a Missão Continente, por exemplo. Também foi estabelecido recentemente um protocolo entre a SONAE e o Ministério da Educação e Ciência para o desenvolvimento de cursos no ensino vocacional secundário, onde os alunos desenvolvem parte do currículo na SONAE com a possibilidade de serem futuramente integrados na empresa.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      A melhoria dos procedimentos e atitude nos métodos de angariação de financiamento, gerando oportunidades de desenvolvimento pessoal de dezenas de jovens de todo o País, no âmbito das atividades nacionais e internacionais da Jovem Orquestra Portuguesa, que é desenvolvida pela Orquestra de Câmara Portuguesa Associação Musical.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      Continuo ligado à Fundação de Serralves. Essencialmente em resultado dos cortes do Estado aos seus custos de exploração, estes, que tinham atingido em 2008 o seu valor máximo de cerca de 10.2 M€, foram em 2014 de cerca de 8.1 M€. Com uma gestão criteriosa, um enorme empenho e motivação dos colaboradores e uma permanente esforço de criatividade e inovação, tem sido possível manter os resultados financeiros sempre positivos, manter ou até ultrapassar a qualidade da atividade da Fundação, baixando a sua intensidade de forma não significativa e melhorando os indicadores de performance: número anual de visitantes (pela primeira vez acima de 500 mil), número anual de visitantes estrangeiros (pela primeira vez acima dos 110 mil) ou número anual de visitantes oriundos do sistema educativo (atualmente cerca 90 mil). Da necessidade tem resultado o engenho...

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      A inovação mais recente e com impacto na empresa foi alargamento da oferta da WeDo a indústrias como o Retalho, Energia ou Saúde. A WeDo em 2014 já contava com mais de cerca de 190 clientes e era a líder de mercado mundial na área em que operava – revenue assurance de gestão de fraude em Telecomunicações. Aproveitando a logística e os escritórios existentes para âmbito de atividades comerciais e de entrega de projeto juntamente com o desenvolvimento do produto com um core de processamento de dados agnóstico á indústria, a WeDo em 2015 desenvolveu uma estratégia de vendas através de canal indireto. Para implementar a estratégia de canal indireto a WeDo reformulou a sua organização interna e a forma como desenvolve o produto e área de formação do mesmo. Do ponto de vista tecnológico temos evoluído em sistemas inteligentes de detecção e diagnóstico de anomalias, utilizando os mais avançadas algoritmos de Machine Learning e Data Mining. Temos sido também um polo inovador na forma como os nossos sistemas são utilizados pelos nossos Clientes, abstraindo a complexidade e maximizando a eficiência na sua utilização. E temos vindo a obter o reconhecimento do mercado nesta aposta, quer pelo excelente feedback dos nossos Clientes, reforçado pelo facto de termos conquistado a liderança do nosso mercado, em telecomunicações, em 2013, mantendo-a até aos dias de hoje. Mas reconhecido também pelas consecutivas excelentes avaliações que temos recebido dos programas de apoio à inovação em que temos participado, sozinhos ou em consórcio com outras entidades.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      O Reino Unido neste momento investe bastante na igualdade e diversidade. Cada Departamento das Universidades tem um comité, para que a nível nacional se melhore a representação e número de mulheres e outras minorias em Ciência, Tecnologia, Engenharia, Medicina e Matemática.

  • 7. Investigação e Desenvolvimento nas Universidades e Instituições de I&D – que valor está a ser criado para as empresas e para o país?

    • Alcino Lavrador

      Alcino Lavrador

      Presidente Executivo

      As universidades portuguesas têm vindo a subir nos rankings mundiais, o que quer dizer que há muito boa produção de conhecimento. O problema é que esse conhecimento é cristalizado internamente na universidade e nos investigadores que o produziram, não se transferindo para o mercado e com isso perdem as empresas portuguesas e o país. É crítico que se criem os mecanismos que forcem esta transferência de conhecimento e a sua transformação em produtos e soluções. Salvo raras exceções o mundo académico vive muito virado para dentro de si e também as empresas não têm o hábito de procurarem as universidades.

    • Ana Moutela

      Ana Moutela

      Directora-Geral

      A relação entre as empresas e as universidades tem vindo a consolidar-se e cada vez mais se criam laços de interdependência. As universidades e as empresas estão cada vez mais sensibilizadas para o facto de terem de trabalhar em estreita colaboração. As empresas necessitam das descobertas científicas e tecnológicas para ganharem competitividade e as Universidades necessitam de recursos financeiros para desenvolver o seu trabalho e assegurar a empregabilidade dos seus alunos, através do enquadramento nos perfis exigidos pelas organizações. A este fator, acresce a circunstância do tecido empresarial Português ser composto maioritariamente por PME’s, que não possuem capacidade de criar os seus próprios núcleos de investigação e têm de saber aproveitar as infraestruturas académicas.

    • António Melo Pires

      António Melo Pires

      Director-Geral

      Falta de continuidade com a industria impede valorização do conhecimento gerado nas universidades.

    • Francisco Veloso

      Francisco Veloso

      Director

      A maior parte do valor está a ser criado através de startups, o que é de esperar dada a natureza do tecido económico nacional, com empresas que investem pouco em conhecimento científico, e por isso têm dificuldade de se ligarem às universidades. Felizmente, começamos a ter cada vez mais exemplos destas startups, como a Feedzai, a Veniam, a Talkdesk, a Codacy, e muitas outras. Acredito que este movimento vá ainda crescer mais no futuro.

    • João Caraça

      João Caraça

      Director

      Penso que o valor só se cria nas redes que se estabelecerem entre as universidades e instituições de I&D e as empresas.

    • José Joaquim de Oliveira

      José Joaquim de Oliveira

      Presidente

      As universidades e instituições de I&D têm tido, desde sempre, um papel central na ciência e inovação, um papel único durante gerações. Nesse percurso têm criado valor para o país e para as empresas que, estimuladas, já começam a desenvolver a sua própria autonomia. Sendo verdade que existem estas duas realidades I& D nas universidades e nas empresas a experiência mostra que quanto maior é a integração ou colaboração entre ambas, maiores são os benefícios mútuos. Daí que seja desejável a continua prossecução deste caminho.

    • José Manuel dos Santos

      José Manuel dos Santos

      Design Director

      Creio que o recente debate sobre a avaliação dos Centros de Investigação não ajuda Portugal, como dizia Tomazs Boski do centro de Investigação marinha e Ambiental da Universidade do Algarve “A atribuição da substancial parte de financiamento das unidades de I&D aos projetos estratégicos apresentados pelas mesmas unidades, sem serem conhecidos à partida os limites monetários ou regras precisas, é o melhor exemplo daquilo que não se deve fazer, isto é, criar disparidades no financiamento, na realidade pouco competitivo." Continuar o bom trabalho de Mariano Gago, cujos resultados estão bem documentados, principalmente com um quadro de limitação orçamental que não se vai alterar nos próximos anos, é imperativo. Existem medidas ligadas ao quadro financeiro específico para I&D, na separação das águas entre a FCT e o MEC, mas também no reconhecimento do I+D+I (Investigação, Desenvolvimento e Inovação) como verdadeiro motor da inovação.

    • Luís Portela

      Luís Portela

      Chairman

      A geração de conhecimento pelas instituições científicas é crucial para uma cultura de inovação e para uma trajetória empresarial mais assente em produtos e serviços de maior valor. Não apenas o conhecimento aí gerado pode ser passível de exploração económica em contexto de mercado, como o investimento realizado pelas instituições de I&D originam quadros técnicos amplamente qualificados, estruturas organizacionais adequadas a projetos inovadores, mecanismos de translação essenciais a uma dinâmica global, do país, mais tributaria daquilo que maior valor pode trazer ao bem-estar coletivo. Não apenas de deve ter particular atenção e carinho aos projetos mais próximos do mercado, porque podem trazer a mais curto prazo a rentabilidade dos investimentos e uma reprodução social do valor inerente, mas será útil alimentar um clima de investigação especulativa e transversal porque o valor das capacidades de acumulação de conhecimentos não imediatamente mercantis tem tradução útil num bem intangível – uma cultura de inovação.

    • Nicolau Santos

      Nicolau Santos

      Director-Adjunto

      É evidente o valor que daí resulta para o país. Várias universidades e institutos são hoje ninhos de empresas (por exemplo, o Instituto Pedro Nunes, em Coimbra), algumas das quais se estão já a afirmar internacionalmente. Depois, é cada vez mais normal que empresas recorram às universidades para melhorar os seus processos produtivos ou para resolver dificuldades técnicas. E isso traduz-se numa subida do preço final passível de ser cobrado aos clientes.

    • Paulo Azevedo

      Paulo Azevedo

      CEO

      O Sistema Nacional de Investigação e Inovação experimentou uma evolução positiva nas últimas décadas, sendo reconhecido internacionalmente pela excelência das suas instituições e potencial humano. Cientes destas valências, promovemos regularmente iniciativas junto à nossa Rede de Inovação Aberta: projetos de I&D em cooperação, disciplinas de projetos, mentoring, estágios etc.; desafiando e valorizando estas instituições que no seu conjunto consistem num importante veículo da SONAE para a criação de valor na organização. Deparamo-nos no entanto, com diversas fragilidades ainda por resolver, principalmente no que diz respeito à capacidade de transferência de conhecimento para a atividade económica. Anteriormente referi positivamente o processo de definição das estratégias de investigação e inovação para uma especialização inteligente – que foram condição prévia para a utilização dos Fundos Estruturais europeus (Fundos de Coesão Regional e Horizonte 2020) – pelo fato de ter sido efetuado em estreita articulação com estratégias regionais e capacidades existentes no tecido empresarial e com vistas à valorização dos recursos endógenos. Desde que estas estratégias sejam efetivamente implementadas permitirão a concentração de recursos humanos e financeiros nas áreas com maior potencial em termos de vantagem competitiva que levarão a um maior alinhamento entre as necessidades das empresas e a oferta das Universidades e Centros de I&D, quer na componente da oferta formativa quer na de desenvolvimento tecnológico, aumentando assim a criação de valor para toda a sociedade.

    • Pedro Carneiro

      Pedro Carneiro

      Desconheço, mas seria bom que estivesse a criar emprego, absorvendo os licenciados, mestres e doutores que saem das Universidades todos os anos; e desenvolvendo a indústria nacional, criando produtos nacionais, aumentando as exportações, com os efeitos positivos daí advenientes.

    • Peter Villax

      Peter Villax

      Administrador

    • Rui Guimarães

      Rui Guimarães

      Vice-Presidente

      É minha convicção que, com raras exceções (canalizadas por institutos de interface das universidades como, por exemplo, o Inesc Porto ou o INEGI), é ainda muito baixa a translação de conhecimento para as empresas e para País. A razão fundamental para tal suceder é a generalizada falta de reconhecimento das atividades de inovação dos docentes nas condições de acesso e progressão da sua carreira.

    • Rui Paiva

      Rui Paiva

      Presidente

      Acredito que as tendências são claras quanto às virtudes da co-criação. As universidades deveriam cooperar com empresas (não necessariamente apenas Portuguesas) em praticamente todo o investimento de Desenvolvimento e em boa parte do esforço de investigação. Na investigação aplicada temos aliás verificado uma evolução extremamente positiva da parte das Universidades, onde cada vez mais temos situações em que são as próprias Universidades, conhecendo o nosso âmbito de atuação e as nossas prioridades, que nos desafiam para projetos conjuntos, o que raramente acontecia no passado. O resultado é que nos últimos anos tem sido recorrentemente, para nós, a realização de projetos de ID+I em conjunto com Universidades, mas também com institutos de I&D, resultando em vários artigos científicos publicados pelos investigadores, bem como comunicações em eventos de referência, ao mesmo tempo que da nossa parte temos beneficiado pela incorporação nos nossos produtos, do conhecimento gerado nestes projectos. Mas os benefícios vão para além do que é produzido no âmbito destes projetos. A realidade é que se constata que as Universidades estão muito mais abertas para trabalhar em temas mas aplicados. Por um lado estes projetos são uma fonte de financiamento da investigação, por outro, uma atividade de investigação mais próxima das necessidades de mercado, tem conduzido a um crescimento considerável do número de empresas startups resultantes de “spin offs” de grupos de investigação. Esta proximidade com as empresas tem também potenciado o surgimento de programas de formação específica, tanto técnica como de gestão. É, por isto tudo, fundamental manter os incentivos à ID+I. Não é aceitável haver situações onde, por ineficiências de gestão, aspetos burocráticos ou alterações de executivo, programas de incentivo fiquem com taxas de execução aquém do esperado. Não são apenas as empresas privadas que são prejudicadas, mas todo o ecossistema.

    • Zita Martins

      Zita Martins

      A investigação feita nas Universidades melhora a qualidade de vida dos cidadãos, tem aplicação no desenvolvimento social e na transferência de tecnologia, melhorando a competitividade das empresas e contribuindo para o seu desenvolvimento económico.

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