Dimensões e Pilares

Em 2014 Portugal mantém a tendência de crescimento, acentuando-se, no entanto, a tendência decrescente à medida que se caminha de Condições a Resultados (Condições > Recursos > Processos > Resultados), já verificada em 2013. Esta melhoria aproximou mais uma vez Portugal da média global e reforçou a “liderança” entre os países da Europa do Sul.
Há a salientar a subida no pilar Envolvente Institucional, podendo estar associada às medidas de credibilização e ao cumprimento das responsabilidades do Estado, bem como nos pilares TIC e Aplicação do Conhecimento, evidenciando uma vez mais a contínua recuperação económica do nosso país. Em sentido contrário têm-se os pilares Financiamento e Networking e Empreendedorismo.

 

Relativamente à análise dos resultados obtidos para cada um dos 10 pilares considerados, destacam-se alguns aspetos:

  • Os resultados nacionais tiveram uma tendência ascendente em 7 dos 10 pilares analisados, tendo os pilares Aplicação do Conhecimento e TIC (Infraestrutura e Utilização) registado as subidas mais significativas face ao ano anterior, sendo seguido pelo pilar Impactos da Inovação. Com tendência negativa, registam-se apenas os pilares Financiamento, Networking e Empreendedorismo e Impactos Económicos.
  • Relativamente ao incremento substancial verificado nos resultados de Portugal no pilar Aplicação do Conhecimento, este ficou a dever-se à melhoria de resultados em 4 dos 7 indicadores que compõem o pilar. Em particular, registaram-se incrementos significativos nos indicadores Publicações de artigos nos sectores da Ciência e Engenharia e Sofisticação dos processos de produção, o que denota uma adaptação do setor académico mas também do empresarial à conjuntura económica vivenciada.
  • Na segunda subida mais acentuada – registada no pilar TIC (Infraestrutura e Utilização) – 5 dos 7 indicadores que compõem o pilar revelaram uma tendência positiva. Em particular, registaram-se incrementos significativos nos indicadores Subscritores de rede móvel por 100 habitantes e Acesso de Internet de banda larga por empresas, o que denota uma crescente e contínua modernização tecnológica e aceleração da participação na economia digital, em alinhamento com o aumento das exportações que se tem verificados nos últimos 2 anos.
  • É ainda de salientar a subida ligeira dos pilares Envolvente Institucional, Incorporação de Tecnologia, Impactos da Inovação e Capital Humano, sendo que foi este último o que merece maior destaque, especialmente após ter retrocedido de 2012 para 2013, tendo evoluído para valores acima dos verificados antes da descida. Dos 9 indicadores que compõem este pilar, 4 revelaram uma tendência de subida, com destaque para os indicadores Percentagem de jovens com idade entre 20 e 24 anos com pelo menos educação secundária e Investigadores de I&D por milhão de habitantes, possuindo este valores em linha com a média global verificada.
  • Caracterizando-se como um dos pilares em que Portugal apresenta maiores carências, verificou-se uma redução significativa ao nível do pilar Networking e Empreendedorismo, em alinhamento com um igualmente decréscimo relevante do pilar Financiamento. Não será de estranhar que, dado ao perfil da economia de Portugal, este dois pilares evoluam de forma semelhante (o mesmo aconteceu no ano passado, ainda que com tendência de crescimento), denotando uma alta dependência do Empreendedorismo com o acesso a Financiamento para o desenvolvimento económico, seja público ou privado. Ainda assim, esta descida não teve grandes impactos ao nível do ranking deste pilares.
  • Apesar da redução no pilar Impactos Económicos ter sido menos notória, levou o pilar para níveis abaixo dos verificados em 2012, voltando a consubstanciar-se como o pilar em que Portugal apresenta piores resultados. Para esta redução contribuíram reduções em 2 dos 6 indicadores.
  • Por último, o pilar Investimento revela também um incremento ténue em relação ao período homólogo, salientando-se um acréscimo mais significativo no Investimento Direto Estrangeiro, em transferência de novas tecnologias para território nacional.

  • Condições

    Face aos resultados obtidos para o ano transato, Portugal apresenta uma descida de 2 posições no ranking de países para a dimensão Condições, apesar de ter subido em valores absolutos de 4,74 para 4,83. Apesar desta subida, manteve-se o distanciamento face à Média Global (4,69). Assim como no ano anterior, Portugal continua a deter o valor mais elevado para os países da Europa do Sul.

     

  • Recursos

    No que concerne a dimensão Recursos, Portugal registou uma descida no seu índice de 3,58 para 3,54, o que levou a que a sua posição no ranking se mantivesse nesta dimensão face a 2013, continuando ainda assim abaixo da Média Global (3,73). Apesar de manter a sua posição, no que respeita a agrupamentos de países, Portugal dista 5 posições da média da UE, mantendo essa posição face ao ano anterior. Ainda assim, apresenta-se novamente como líder dos países da Europa do Sul, incrementando o seu distanciamento face a Espanha.

  • Processos

    Na dimensão Processos, Portugal mantém a sua posição no ranking, continuando na 24ª posição. No que concerne ao valor absoluto, Portugal melhorou significativamente, passando de 3,47 para 3,52. Em termos comparativos, Portugal iguala a média global, ficando logo atrás da média da Zona Euro e da UE. Ainda assim, apresenta-se novamente como líder da Europa do Sul, aumentando o seu distanciamento face a Espanha.

    Na dimensão Processos, Portugal mantém a sua posição no ranking, continuando na 24ª posição. No que concerne ao valor absoluto, Portugal melhorou significativamente, passando de 3,47 para 3,52. Em termos comparativos, Portugal iguala a média global, ficando logo atrás da média da Zona Euro e da UE. Ainda assim, apresenta-se novamente como líder da Europa do Sul, aumentando o seu distanciamento face a Espanha.

  • Resultados

    A dimensão Resultados continua a ser aquela em que Portugal apresenta piores resultados, sendo que em 2014, apesar da descida de 2,95 para 2,93, no que concerne o ranking Portugal aumenta 4 posições, encontrando-se agora na 39ª. Apesar destes resultados, Portugal aproxima-se da Média dos países da Europa do Sul (que desceu de 3,12 para 2,99), aumentando o seu distanciamento face à Grécia.

  • Conclusões

    Portugal surge melhor posicionado…

    • Envolvente Institucional: melhoria ligeira do valor do pilar, pese embora tenha havido uma redução no ranking (de 24º em 2013 para 29º em 2014), que ainda assim se consubstancia como o segundo melhor para Portugal, devido em grande parte aos indicadores “Tempo para criação de Novas Empresas” (no qual Portugal é 2º, ex-aequo com a Austrália, e sendo apenas superado pela Nova Zelândia), “Qualidade do Sistema de Educação” e “Qualidade das Instituições de Investigação Científica”
    • Tecnologias de Informação e Comunicação: pilar com a segunda maior subida registada, apoiada pelos indicadores “Subscritores de rede móvel por 100 habitantes” e “Acesso de Internet de banda larga por empresas” (apesar do crescimento, o pilar registou uma quebra de uma posição no ranking, para o 28º posto)
    • Capital Humano: pilar com uma ligeira subida, mas que deve ser assinalada, especialmente após ter retrocedido de 2012 para 2013, tendo evoluído agora para valodária” e “Investigadores de I&D por milhão de habitantes”res acima dos verificados antes da descida, graças ao crescimento dos indicadores “Percentagem de jovens com idade entre 20 e 24 anos com pelo menos educação secundária” e “Investigadores de I&D por milhão de habitantes”.
    • Aplicação de Conhecimento: pilar em que Portugal revelou o maior crescimento em termos de ranking, tendo passado da 33ª para a 26ª posição em 2014, com incrementos significativos nos indicadores “Publicações de artigos nos sectores da Ciência e Engenharia” e “Sofisticação dos processos de produção”
    • Incorporação de Tecnologia: pilar com uma subida ligeira, da 23ª para a 21ª posição, apoiada pelo crescimento de 3 dos 4 indicadores que o compõem: “Disponibilidade de tecnologias recentes, a nível nacional”, “Capacidade de absorção de novas tecnologias por parte das empresas nacionais” e “Forma de obtenção da tecnologia por parte das empresas (licensing vs. I&D in-house)”
    • Impactos da Inovação: pilar com uma subida considerável, tendo passado da 28ª para a 18ª posição, e tendo ultrapassado as médias da Zona Euro e da Europa do Sul (a única média agregada melhor classificada que Portugal é a média da OCDE), graças ao desempenho dos indicador “Vantagem competitiva de empresas nacionais em mercados internacionais (low-cost vs. produtos únicos)” e, especialmente, do indicador “Criação de Produtos, Serviços e Modelos de Negócio através de Tecnologias de Informação”

    Portugal surge pior posicionado…

    • Financiamento: pilar com uma ligeira descida, que apenas se traduziu numa subida de ranking (da 27ª para a 23ª posição) devido à descida registada também na maioria dos países em estudo
    • Investimento: Portugal mantém um fraco posicionamento no pilar Investimento (34ª posição), pese embora tenha evidenciado uma ligeira subida neste ano, fruto das subidas dos indicadores “Investimento Direto Estrangeiro, em transferência de novas tecnologias para território nacional” e “Nível de investimento das empresas na formação dos seus colaboradores”
    • Networking e Empreendedorismo: após a subida verificada no ano transato, Portugal registou nesta ano uma descida da 17ª para a 31ª posição, o que evidencia que o resultado de 2013 seria um outlier do estudo, e não uma tendência clara de crescimento
    • Impactos Económicos: mantém-se como a pior classificação de Portugal nas estatísticas do Barómetro de Inovação, pese embora tenha subido uma posição no ranking, para o 47º posto. Destaque para:
    • Uma fraca capacidade exportadora de alta tecnologia, consubstanciada no fraco posicionamento do indicador “Exportações de alta tecnologia em % percentagem do total de exportações de produtos”;
    • Pouco emprego relativo em sectores de média e alta tecnologia e serviços de conhecimento intensivo, longe da média global;
    • Uma excessiva concentração das exportações num número reduzido de empresas e uma limitada dimensão das empresas - a dimensão das PME nacionais é menor do que a dimensão média na generalidade dos países europeus.

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